Morre Leopoldo Serran, autor do roteiro do maior sucesso nacional

Adaptou Dona Flor e Seus Dois Maridos, que teve 12 milhões de espectadores

Luiz Zanin Oricchio, O Estadao de S.Paulo

21 de agosto de 2008 | 00h00

Leopoldo Serran, roteirista do maior sucesso de bilheteria do cinema brasileiro, Dona Flor e seus Dois Maridos, morreu anteontem, no Rio, com 66 anos. O sepultamento estava previsto para ontem, no Cemitério São João Batista. Serran nasceu no Rio, em 1942, e fez parte da geração do Cinema Novo, em especial em sua primeira fase, quando escreveu para Cacá Diegues a adaptação do romance de João Felício dos Santos, Ganga Zumba, que seria o longa-metragem de estréia de Cacá. Na "pauta" de Serran, nesse primeiro momento da carreira, estavam a preocupação social, em especial com as desigualdades do País. Por isso, se recorria a um fato do passado - a luta dos escravos por sua libertação - para comentar uma situação daquele presente. Estávamos no anos de 1963 e a estética ainda era dependente de um realismo proposto pelo CPC - os Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes.Também para Cacá, Serran escreveu o texto de A Grande Cidade, o filme seguinte do diretor, e considerado até hoje um dos melhores de sua carreira. Anos mais tarde, Serran voltaria a trabalhar com Diegues, em um dos grandes sucessos da época da Embrafilme, Bye Bye Brasil, filme que examinava as transformações ocorridas no País na virada dos anos 70 para os 80.Serran é em boa medida responsável pelo fato de Dona Flor e Seus Dois Maridos, lançado em 1976, ter levado quase 12 milhões de pessoas aos cinemas. O livro de Jorge Amado é imenso e Serran o enxugou sem perder seu sabor baiano e o intenso clima sensual. Dirigido por Bruno Barreto, o filme ainda conserva todo o seu frescor, o que se deve, em boa parte, à fluidez do texto.Versátil, Serran escreveu comédias rasgadas (Se Segura Malandro, de Hugo Carvana) e as comédias dramáticas e românticas para Arnaldo Jabor, como Tudo Bem e Eu Te Amo. Escreveu para Antonio Calmon um filme policial como Eu Matei Lúcio Flávio e, para Oswaldo Caldeira, uma obra política como O Bom Burguês. Continuou ativo na fase da Retomada, pós-anos 90. Nesse período, seus dois trabalhos mais importantes foram O Quatrilho, de Fábio Barreto, e O Que É Isso, Companheiro?, de Bruno Barreto. Ambos concorreram ao Oscar.

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