Auro Soares
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Morre, aos 70 anos, o chanceler Airton Queiroz

Sua coleção privada tinha mais de 700 obras, entre elas um retrato de Gabrielle feito por Renoir, avaliado em mais de US$ 4 milhões

Antônio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2017 | 12h21

Morreu na madrugada desta segunda-feira, 3, o chanceler cearense Airton Queiroz, um dos maiores empresários e colecionadores de arte do Nordeste. Queiroz estava internado havia mais de três meses no Hospital Mont Klinikum, em Fortaleza, em decorrência de um câncer pulmonar. Seu corpo foi cremado, após uma cerimônia religiosa que reuniu apenas seus familiares.

Ele deixou dois filhos, Edson e Patrícia. Suas cinzas serão espalhadas nos jardins de sua residência e da Universidade de Fortaleza (Unifor), que há 35 anos vem formando jovens estudantes no Ceará.

Filho do empresário Edson Queiroz e de dona Yolanda Queiroz, Airton construiu em meio século de colecionismo um acervo raro e valioso que engloba praticamente todos os movimentos e escolas, tanto nacionais como internacionais. Em sua coleção privada, com mais de 700 obras, o empresário reuniu obras impressionistas, c omo um retrato de Gabrielle feito por Renoir, avaliado em mais de US$ 4 milhões.

A Universidade de Fortaleza, administrada pela Fundação Edson Queiroz, expõe atualmente duas centenas de obras dessa coleção, que, ao lado do acervo particular do chanceler, chega a 2.300 peças. Entre as 1.600 da fundação estão trabalhos de cobrem toda a história da arte brasileira, da era colonial à contemporânea.

Há na exposição pinturas raras do holandês Frans Post, uma escultura de Aleijadinho e obras históricas do modernismo brasileiro e estrangeiro. Dos artistas internacionais cabe destacar telas de Chagall, Renoir e Matisse, além de esculturas como a do inglês Henry Moore.

O  chanceler Airton Queiroz se notabilizou por sua generosidade, abrindo não só sua coleção particular à exposição pública, como comprando obras para doar a instituições e museus públicos, especialmente de São Paulo. Todos os anos ele adquiria uma obra na feira SP-Arte para doar a um museu.

Seu papel como mecenas vai além: a Fundação Edson Queiroz acaba de patrocinar a publicação do catálogo raisonné do artista cearense Leonilson, um dos grandes nomes da chamada Geração 80, cujas obras estão expostas no novo espaço criado pela Unifor para abrigar arte contemporânea. A mostra de Leonilson reúne 128 trabalhos de todas as fases de sua carreira, do primeiro trabalho, uma pintura de 1971, ao último.

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