Montagem de Colombo contorna limitações

Com elenco irregular, versão de William Pereira para ópera de Carlos Gomes compensa com efeitos visuais convincentes

Lauro Machado Coelho, O Estadao de S.Paulo

17 de setembro de 2008 | 00h00

As limitações naturais de um oratório cênico como o Colombo, de Carlos Gomes, afligido além disso por um libreto muito medíocre, que não abre espaço ao desenvolvimento de personagens e situações, criam sérias restrições ao encenador. Restrições que William Pereira contorna convenientemente, com o uso de projeções e outros recursos, em sua montagem de março de 2004, que está sendo reprisada no Teatro Municipal.Se descontarmos o anacronismo de um figurino que faz a corte de Fernando e Isabel vestir-se como se vivesse nos tempos de Felipe II - o que é tornado ainda mais gritante pelas gravuras de época projetadas entre cada cena -, o espetáculo é, de um modo geral, de efeito visual bastante convincente. É especialmente bem realizada a seqüência da tempestade em alto mar, na qual se percebe um curioso cruzamento de reminiscências da Africana, de Meyerbeer, com o Otello, de Verdi. Soam datadas e demasiado óbvias, na cena final, as alusões à exploração predatória dos nativos pelos europeus. E elas só servem, na realidade, para enfatizar a queda da qualidade musical, nessa última parte: tanto o balé quanto a ária final de Isabel são de um nível de inspiração bem inferior ao restante da partitura.Retomando seus papéis quatro anos depois, o elenco não iguala os resultados da montagem anterior. Embora tenha sido persuasivo o seu desempenho em momentos como a romança "Era un tramonto d?or", foi bastante irregular o rendimento do barítono Sebastião Teixeira. E o acentuado vibrato de Mônica Martins também contribuiu para tornar irregular a interpretação da rainha Isabel.Mais estável foi o rendimento de Marcello Vannucci (rei Fernando) e de Sávio Sperandio (o Frade) - este, em especial, saiu-se bem no dueto com Colombo, um dos bons momentos do espetáculo. O Coral Lírico respondeu com precisão ao que lhe foi exigido pela interpretação do maestro José Maria Florêncio, que privilegia mais a retórica e o efeito rumoroso que a nuance ou o contraste.

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