Momentos de emoção, dentro e fora do palco

Chegada de Minczuk ao festival fez de Campos cenário de disputas políticas da vida musical paulista

João Luiz Sampaio, O Estadao de S.Paulo

04 de julho de 2008 | 00h00

A chegada de Roberto Minczuk a Campos do Jordão, em 2005, não mudou apenas o cenário artístico do festival de inverno, que ganhou em qualidade e diversidade de programação. Também transformou a cidade no alto da serra em palco de algumas das principais disputas políticas da vida musical paulistana.Tudo começou já em 2005, quando Minczuk era diretor artístico adjunto do maestro John Neschling na Osesp. O convite para liderar o festival, e a decisão de aceitá-lo, foram vistos como questionamento à autoridade de Neschling. No ano seguinte, os desentendimentos entre os dois levariam Minczuk a deixar o cargo e passar a regente convidado principal, posto que ocupou por apenas alguns meses antes de se desligar por completo do grupo.Por ironia do destino, os dois precisam estar juntos pelo menos uma vez ao ano, em Campos - a tradição sugere que seja a Osesp a abrir todo ano o Festival de Inverno. Em 2007, novos lances. As desavenças entre Neschling e o governador José Serra ganharam as páginas dos jornais no ano passado quando Serra compareceu ao concerto de abertura - foi a primeira apresentação de Neschling acompanhada pelo governador que, por outro lado, demonstrou abertamente seu apoio a Minczuk, comparecendo a concertos do maestro e convidando os bolsistas para um grande almoço no Palácio Boa Vista.Os desentendimentos entre o governador e Neschling hoje já são conhecidos do grande público, sendo até mesmo um dos motivos que justificaram a decisão, anunciada recentemente pelo maestro, de não renovar seu contrato à frente da Osesp. Nenhuma das partes fala sobre o assunto, o que não impede que uma legião de informações de bastidores corram soltas pelo mundo musical. Novos lances, no entanto, podem ser aguardados. O concerto de abertura do festival, amanhã, terá Neschling no palco e, ao que tudo indica, o governador na platéia. Será seu primeiro concerto depois da decisão de deixar a orquestra. Por outro lado, o concerto marca o início da última edição do festival sob o comando de Minczuk, que não deve ter seu contrato renovado pelo governo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.