German Lorca|Divulgação
German Lorca|Divulgação

MoMA compra cinco fotos do experimental German Lorca

Fotógrafo comemora seus 94 anos com a venda de cópias vintage das décadas de 1940 e 1950 ao museu norte-americano, que serão incluídas em livro

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

25 de maio de 2016 | 03h00

O fotógrafo paulistano German Lorca, definido pelo sociólogo José de Souza Martins como o autor da melhor tradução visual de São Paulo nos anos 1950, tem vários motivos para comemorar seus 94 anos, que completa no sábado, dia 28. O primeiro deles é a compra de cinco fotos suas pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) por US$ 10 mil cada uma, todas elas produzidas entre os anos 1940 e 1950, quando integrou o histórico Foto Cine Clube Bandeirantes. Ele ainda doou duas fotos, dos anos 1960, ao museu americano. O segundo motivo é que as fotos foram incluídas num livro que o MoMA lança brevemente. O terceiro é uma exposição com trabalhos recentes, em cores, programada para setembro no Sesc Bom Retiro. O quarto é que Lorca tem uma memória invejável: é capaz de lembrar a data, o local e a circunstância de cada foto sua.

As duas reproduzidas aqui são da primeira fase de Lorca, quando ele e Geraldo de Barros saíam às ruas em busca de personagens para fotos experimentais. A de baixo, À Procura de Emprego, é datada de 1949 e foi feita diante do prédio onde funcionava o Diário Popular, jornal caracterizado por publicar pequenos anúncios – notadamente de empregos. “Quando saía o jornal, quem estava desempregado consultava rapidamente os anúncios e saía em disparada para garantir sua vaga”, lembra Lorca. A imagem, hoje uma das mais conhecidas do fotógrafo, é um flagrante da vida cotidiana de precisa construção formal.

Isso se aplica a uma outra foto comprada pelo MoMA e reproduzida aqui, Apartamentos, feita em 1952 no bairro da Mooca. “Estava com o Geraldo de Barros, ele olhou para um lado e eu, para o outro, justamente o dos garotos brincando na entrada de um prédio num fim de semana”, conta. A cena, simples, revela o olhar moderno de Lorca, que nasceu e foi criado num bairro popular, o Brás, mas desenvolveu seu poder de captar, como um cientista social, o ambiente e o mundo interior de seus personagens.

Um deles era delegado do famigerado DIP de Vargas, eternizado numa foto chamada O Fumante, de 1954, que o MoMA também comprou. “Ela foi feita no estúdio do Geraldo de Barros, que estava experimentando efeitos de solarização”, lembra. Nesse jogo expressionista de sombra e luz, Lorca expõe os dois lados do delegado fumante. Ativo, ele ainda surpreende: sua exposição no Sesc vai mostrar o que um mestre do preto e branco pode fazer com as cores. 

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