Tiago Queiroz/ Estadão
Tiago Queiroz/ Estadão

MIS faz 50 anos com projetos para a retomada pós-pandemia

Se tudo correr como planejado, abertura poderá ser em agosto com a volta da exposição 'John Lennon'

Eliana Silva de Souza, O Estado de S. Paulo

29 de maio de 2020 | 05h00

Nascido da ideia de preservar parte da memória paulista, o MIS – Museu da Imagem e do Som completa 50 anos nesta sexta-feira, 29 de maio. A festa para comemorar ia ser linda e contaria com uma mostra pensada especialmente para a data, mas a pandemia de coronavírus fez com que o museu adiasse os festejos e desse novo rumo a suas atividades, que passaram a ser oferecidas de forma online. Com as perspectivas de reabertura das atividades, ideias de como dar início a essa nova fase de forma segura passaram a ser a prioridade. 

Ao falar com o Estadão, por telefone, Cleber Papa, diretor do MIS, revela que as perspectivas mais otimistas trabalham com a reinício do funcionamento da instituição a partir do mês de agosto. “Quando reabrirmos, a exposição que estará no museu será a do John Lennon, que ficou apenas três dias aberta para o público”, informa. Essa mostra, que ficou aberta pelo período de 13 a 15 de março, seria uma das grandes apostas da gestão para este ano.

John Lennon em Nova York é composta de imagens que o fotógrafo norte-americano Bob Gruen fez do ex-Beatle, quando o músico decidiu se mudar para a cidade americana, nos anos 1970. Para montá-la, o autor ficou de olho em cada detalhe e participou, mesmo distante de todo o processo. Assim, as fotos foram reveladas no Brasil, mas eram encaminhas cinco provas para os Estados Unidos, para ele escolher a que preferia, e ainda era dele a decisão sobre qual laboratório seria o responsável, o tipo de papel usado, também. Mas o desfecho dessa trabalheira foi à altura, pois contou com a presença do próprio Gruen no MIS, dando seu aval. A ideia é que a exposição fique em cartaz por ao menos quatro meses. 

Papa conta ainda o que deverá ocupar o local na sequência. “Depois dela (Lennon), devemos ter Chaplin, o Homem Orquestra, que vai focar na relação de Charles Chaplin com a música”, conta com entusiasmo, explicando que essa mostra, que vem de Paris, permitirá algumas brincadeiras com o público, que verá o cineasta por um outro ângulo, tendo a música como centro da atenção. Ainda em negociação, a previsão é de que chegue ao MIS no ano que vem. 

Mesmo com o retorno às atividades, o MIS, de acordo com o diretor, terá de voltar mantendo o máximo cuidado, o que vem sendo pensado e debatido internamente. Como esse período de quarentena obrigou o museu a trabalhar de forma remota, virtual, oferecendo suas atividades de forma online, por suas redes sociais e site, a ideia agora será manter isso de forma constante. “A gente mudou totalmente a forma da nossa plataforma, e deve continuar assim. Devemos manter as atividades virtuais de forma definitiva, e esse MIS presencial deve ter novas regras.” E isso será possível, segundo Papa, fazendo com que as exposições de grande porte fiquem mais tempo em cartaz, o que possibilitaria ser vista pelo mesmo número de pessoas, se fosse presencial, mas com menos gente por dia. “Vamos alargar o perfil das mostras, de forma que as pessoas possam visitar com calma, ou seja, em vez de ficar três meses em cartaz, deverão permanecer mais tempo”, ajudando a espacejar as visitações, imagina ele. 

Estes novos tempos farão o espaço repensar, também o uso de algumas tecnologias, como será o caso das atividades que precisam do touch screen, do toque na tela com os dedos. Ele se preocupa também com a questão do celular e dos fones de ouvido, necessários em diversos programas do museu. “Não teremos mais fones, as pessoas usarão os seus próprios, o que será um problema a ser superado, pois teremos de adaptar o maquinário para aceitar os vários modelos”, diz, mostrando que esta fase atual vai exigir mudanças de pensamento e a procura de alternativas para que voltemos o mais próximo possível do normal. 

Ligado à Secretaria de Estado da Cultura, o MIS foi inaugurado em 1970 e teve como referência seu irmão carioca, que surgiu nove antes com o conceito de preservação e produção de imagem e som. Após ocupar espaços diferentes da cidade, passando pelos bairros dos Campos Elísios, Avenida Paulista e Itaim, ganhou sede própria, em 1975, no Jardim Europa, onde até hoje se mantém. 

A inauguração do prédio do MIS foi marcada pela exposição Memória Paulistana, organizada por Rudá de Andrade, na época diretor técnico do MIS. De lá para cá, o museu se transformou em referência na realização de mostras que atraíssem o interesse geral, montando diversas outras exposições, que preencheram os seus espaços. Em sua história mais recente, o MIS sediou eventos em que seu espaço ficou até pequeno para a grande quantidade de público, como foi o caso da mostra com personagens e cenários da série de TV Castelo Rá-Tim-Bum, em cartaz entre 2014 e 2015. Imbatível em números, Castelo é questão de orgulho para todos que ali trabalham, pois ultrapassou a marca dos 400 mil visitantes. 

E, para animar os fãs, nesta sexta, às 20h, terá live com atores do elenco do Castelo Rá-Tim-Bum, no #MISemCasa. 

As cinco maiores exposições da história do MIS-SP

  • Castelo Rá-Tim-Bum (2014): 410 mil pessoas
  • O Mundo de Tim Burton (2016): 213 mil pessoas
  • Quadrinhos (2018): 156 mil pessoas
  • Renato Russo (2017): 102 mil pessoas
  • Silvio Santos Vem aí (2016): 101 mil pessoas

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