''Minha leitora é como eu fui, comum e desesperançada''

Rainha das adolescentes, Meg Cabot cuida da vinda ao Brasil

Ubiratan Brasil, O Estadao de S.Paulo

10 de setembro de 2009 | 00h00

A americana Meg Cabot não vai enfrentar nenhum dissabor em sua estada carioca. "Recebi inúmeros e-mails de fãs brasileiras alertando que o clima aí está quente, que devo levar jeans e, muito importante, deixar para comprar Havaianas no Rio", disse ela ao Estado, com a realeza de quem é adorada por adolescentes do mundo todo (15 milhões de livros), em especial no Brasil (os 31 títulos publicados pela Record somam mais de 800 mil exemplares vendidos). Antes de viajar para o Rio, onde tem evento no domingo, às 15 horas, Meg, que vive em Nova York com o marido e uma gata de um olho só chamada Henrietta, respondeu por e-mail às seguintes perguntas em seu estilo despachado que tanto enlouquece suas fãs.

Na condição de best-seller, como você vê a promoção da leitura entre os jovens?

Os adultos reclamam muito que os jovens não leem, mas não percebem as coisas que fazem para inibir esse hábito. Primeiro, não há bibliotecas em número suficiente. Segundo, os educadores empurram livros aborrecedores nas salas de aula: não é mais possível ler clássicos chatos só porque os professores tiveram de ler quando criança. Finalmente, é preciso alargar o entendimento do ato da leitura: quadrinhos, graphic novel, website, e-novel, fan fiction também são exemplos de leitura, mesmo não estando dentro de um livro.

Em sua opinião, qual o principal ganho das adolescentes ao ler sua obra?

Sempre me senti uma estranha quando garota: nunca fui a mais bonita ou a mais esperta e minha família era esquisita (meu pai foi um brilhante professor mas, em casa, era um alcoólatra dissimulado). Um de meus irmãos sempre enfrentou dificuldades na escola e em casa, portanto, havia muita gritaria, mesmo que meu outro irmão fosse um campeão no basquete adorado pelas garotas. Nunca encontrei livros sobre meninas comuns como eu. Assim, minha leitora é a mesma garota que fui, desesperançada, que busca um canal de fuga. Que sabe não estar sozinha. Meus pais não gostavam das minhas notas. Eu mostro que há esperança.

Você permite algumas liberdades quando conta suas histórias no papel?

Eu realmente não entendo essa questão quando me fazem. Acho que sou meio perdida, mesmo. Então, posso propor outra pergunta? Como é a rotina de um escritor? Hoje, por exemplo, acordei bem cedo, infelizmente, graças ao alarme interno do meu marido, que tocou cedo (não gostei nada disso... Ele simplesmente se levantou e foi embora!). Daí, escrevi um pouco mais em meu blog, pedindo para minhas leitoras brasileiras dicas de roupas para levar, pois não tenho a mínima ideia como está o tempo aí. Depois do café da manhã, preparei uma lista de atividades como terminar esta entrevista; terminar o livro que estou escrevendo antes da viagem para o Brasil; checar com minha mãe se ela ficou chateada por eu ter escrito um post anunciando seu câncer (ela tinha me pedido para não contar!); comprar um novo computador porque o meu antigo quebrou e não vale a pena consertá-lo; fazer minhas unhas (muito importante!); checar se meus dois novos livros estão vendendo bem; comprar um vinho para um jantar na casa de amigos; responder aos e-mails da minha cunhada que está se separando do meu irmão (uma situação muito delicada); arrumar a mala! E já são 15 horas e só o que fiz até agora foi escrever para você. Deseje-me sorte!

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