Memória do Mundo: um convite para ler Borges

Esse é um dos objetivos do autor e ator João Paulo Lorenzon

Beth Néspoli, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2008 | 00h00

Antes mesmo de o espetáculo ter início, o espectador de Memória do Mundo deve passar por uma experiência sensorial. Esse pelo menos é o desejo dos criadores desse solo escrito e interpretado por João Paulo Lorenzon e dirigido por Élcio Nogueira. A fonte de inspiração é a obra do escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) e o objetivo é envolver o espectador também pelos sentidos, além da razão e da emoção.''Em nenhum momento tentamos construir uma narrativa biográfica ou dar conta de reproduzir na linguagem cênica esse universo literário'', diz Nogueira. ''Quem já viu a cenografia, criada por Márcia Moon, prefere o termo instalação para defini-la'', afirma. Não há separação entre público e ator. Todos estão no centro de um quadrado feito de espelhos negros. De acordo com a incidência da luz, ora refletem o público, num jogo infinito de imagens, ora ganham transparência e recebem a projeção de imagens como a de uma ampulheta ou de uma tempestade de areia, que remetem ao universo desse autor.As cadeiras estão colocadas ainda de forma irregular. Também a trilha sonora e a iluminação foram criadas com o intuito de confundir sentidos, quebrar expectativas. ''São imagens oníricas, criadas a partir de elementos como espelhos e labirintos, que podem envolver sensorialmente o público numa sedução, mas cheia de pistas falsas. Não temos a pretensão de tentar dar conta da obra de Borges, mas sobretudo propiciar um contato com esse universo. Se o espetáculo provocar no espectador o desejo de ler seus contos - não por acaso fizemos contato com muitas escolas -, para nós será gratificante.''Lorenzon ressalta ter trabalhado com afinco no texto para que o resultado não fosse simplificador. ''Não busquei tentar reproduzir a obra para outra linguagem, mas dialogar com ela'', diz o esse ator-autor. ''O fio condutor do meu roteiro é uma espécie de trajetória pelos labirintos da memória e a idéia é abrir brechas para que o espectador faça sua viagem particular, a partir de suas vivências.''Compartilhar sua paixão pelo autor foi o primeiro impulso de Lorenzon. ''Eu queria propiciar uma viagem pelas palavras'', diz. ''Há momentos em que o ator desaparece, fica só sua voz'', antecipa Nogueira.Serviço Memória do Mundo. 50 min. 14 anos. Unidade Provisória Sesc Avenida Paulista (25 lugs.). Avenida Paulista, 119, 3179-3700. 5.ª, 19h30 e 21 h. R$ 2 a R$ 8. Até 12/6

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.