Meg Cabot estende seu reinado pelas avenidas do Riocentro

Presença da escritora best-seller exigiu reforço de segurança e impulsionou vendas de livros em 30%

Ubiratan Brasil, RIO, O Estadao de S.Paulo

15 de setembro de 2009 | 00h00

Meg Cabot não tem sossego nem no banheiro - enquanto se prepara para enfrentar duas sessões de encontro com suas fãs (a procura foi tamanha que os organizadores foram obrigados a desdobrar o programa), ela retoca a maquiagem ao lado de duas meninas que dão palpites e também se arrumam. Na tarde do domingo, a escritora americana que já vendeu 15 milhões de livros pelo mundo (800 mil no Brasil) é a grande atração da Bienal do Livro do Rio. Isso significa dor de cabeça para a segurança - os dois encontros reúnem cerca de 800 pessoas. Já a sessão de autógrafos logo a seguir vai premiar 400 sortudos que conseguiram senhas até no muque (algumas mães quase se pegaram para garantir a sua). "É cansativo, mas adoro isso", Meg comenta com o Estado, que acompanhou os bastidores de sua peregrinação carioca.

Filha de intelectuais, ela começou a escrever ainda adolescente para se livrar de problemas familiares (especialmente quando a mãe trocou o marido por um dos professores da jovem Meg). Foi rejeitada por várias editoras até que uma aceitou publicar o que se tornaria seu carro-chefe: só nos Estados Unidos, a série Diário da Princesa (publicado aqui pela Record) vendeu mais de 5 milhões de exemplares. É essa trajetória que ela apresenta às fãs, na maioria meninas entre 10 e 15 anos, no domingo. Basta ouvi-la para compreender a empatia, pois Meg fala a língua de suas leitoras e tem idênticas preocupações.

Antes da apresentação, ela se maquia e prepara o modelito tradicional: sapatos pretos, saia evasê, cinto, colar de pedras redondas e tiara. Tudo pronto, ela só aparece em público quando acerta o sorriso, que revela seus dentes separados. "No Brasil, França e Tailândia, vivem minhas fãs mais ardorosas", ela comenta, enquanto retoca a maquiagem, gesto muito repetido por causa do calor carioca. "Na Tailândia, meus livros foram adotados no ensino do inglês. Com isso, nas sessões de autógrafos é comum também receber soldados enormes, fardados, com meu livro nas mãos, que chegam tímidos dizendo: "Amo suas histórias"."

Homens, aliás, são tema também de suas conversas com as fãs. Na apresentação de domingo, Meg arrancou gargalhadas envergonhadas ao aconselhar as meninas a escolherem o companheiro com os defeitos corretos. "Como somos mais perfeitas que eles (nessa hora, os uivos da plateia são ensurdecedores), o ideal é escolher pelos defeitos. Meu marido, por exemplo, adora cozinhar, só pensa nisso, e, como sou boa de garfo, eu acho ótimo."

Meg, no entanto, precisa escolher o que come. Como tem intolerância ao glúten, também chamada de doença celíaca, ela necessita de pratos especiais. Assim, enfrenta as maratonas geralmente devorando barras de cereal e muita água. "Passo fome, mas preciso me conter para não engordar", conta ela, revelando que ataca a geladeira nos momentos de crise da imaginação.

Profissional, ela não demonstra sinais de cansaço diante das fãs, ainda que se atire numa cadeira, nos bastidores. Afinal, a maratona brasileira continua: em São Paulo, Meg encontra as fãs na Livraria Saraiva do MorumbiShopping (amanhã, 17 h), na Cultura do Conjunto Nacional (quinta, 18 h) e na Fnac da Avenida Paulista (sexta, 11h30). Em todos, haverá distribuição de senhas no dia.

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