Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

'Medidas da Incerteza' é o tema da 32.ª Bienal de São Paulo, em 2016

Curador alemão Jochen Volz apresentou seu projeto inicial para a mostra e parte da equipe que vai desenvolver sua proposta baseada em questionamentos sobre o presente

Camila Molina, O Estado de S. Paulo

04 de fevereiro de 2015 | 13h23

"Medidas da Incerteza" é o título provisório da 32.ª Bienal de São Paulo, marcada para ocorrer em 2016. Na manhã desta quarta-feira, 4, o alemão Jochen Volz, curador responsável pela edição, apresentou para a imprensa as linhas iniciais de seu projeto para a exposição, ou melhor, o esboço temático que dará a base para desenvolver a mostra. Como lembrou o historiador de arte, vivemos já na época definida como a do "Antropoceno", no primeiro século em que se falou da possibilidade de as ações do próprio homem desencadear a extinção da espécie humana. Ideias em torno de desordem e equilíbrio, ecologia e medo, mudanças climáticas, inteligência coletiva, fantasmas, sinergia e subjetividade foram citadas como gatilhos para a concepção da mostra.

O curador convidado elogiou o privilégio de ter quase dois anos para desenvolver seu projeto para a 32.ª  Bienal de São Paulo e anunciou, por ora, os cocuradores que já integram sua equipe, a brasileira Júlia Rebouças (sua colega no Instituto Inhotim, em Minas Gerais, do qual Jochen Volz foi diretor artístico entre 2005 e 2012); a sul-africana Gabi Ngcobo; e o dinamarquês Lars Bang Larsen. "Outros serão confirmados ao longo do processo", afirmou o alemão. Com larga experiência no Brasil, Volz também foi um dos curadores da 27.ª Bienal de São Paulo, em 2006, que teve direção artística de Lisette Lagnado, e da 53.ª Bienal de Arte de Veneza, em 2009, ao lado de Daniel Birnbaum.

Jochen Volz, atualmente, diretor de programação da Serpentine Galleries em Londres (com compromissos na instituição inglesa até junho, conta), concorda que o tema escolhido para a 32.ª Bienal seja muito amplo, mas rechaçou que trazer questões como a ameaça do fim do mundo para o conceito da mostra indique algum "ponto de vista negativo". "Apontar e aprender a lidar com a incerteza é mais interessante", disse. Sem citar artistas, afirmou que há no Brasil criadores que desde as décadas de 1950 e 60 trabalham na questão "da medida e do acaso" e que seu sonho é colocar nomes históricos na exposição.

Na apresentação, ainda, o curador destacou algumas características que da edição, como a interdisciplinaridade e "a ênfase em trabalhos novos". "Muitos projetos serão executados nos local, alguns deles de forma coletiva", definiu no texto produzido para a apresentação. A realização de seminários públicos ao longo de 2016 para que se possa discutir "aspectos chaves do projeto global" - entre eles, por exemplo, arquitetura e urbanismo, experimentos radicais de educação, citou - e a vontade de "testar" obras online estão na proposta curatorial. Residências e bolsas no Brasil e no exterior para os participantes também foram citadas.

O presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Luis Terepins, afirmou que o orçamento da instituição para 2015 e 2016 será de R$ 34 milhões, calculando que R$ 29milhões serão destinados ao projeto da 32.ª edição. "Na reforma estatutária, pela primeira vez criamos um comitê de captação de recursos", disse na coletiva. Segundo o empresário, em seu segundo mandato à frente da instituição, o recente desligamento de Stela Barbieri da coordenação do educativo da Bienal (desde a 29.ª Bienal) foi uma escolha da própria artista e educadora. Sobre a exposição do Pavilhão Brasil na próxima Bienal de Veneza, em maio, produzida pela entidade, contou que o compromisso da Funarte para a representação nacional no evento é de R$ 600 mil. Para este ano, os curadores Luiz Camillo Osorio e Cauê Alves escolheram como representantes oficiais do País os artistas Antonio Manuel, Berna Reale e André Komatsu.

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