Mathieu Amalric dá força à realidade ''surreal'' de Schnabel

Ator comenta O Escafandro e a Borboleta, que lhe valeu seu segundo César

Entrevista com

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

04 de julho de 2008 | 00h00

Há três anos, ao receber o César, o Oscar do cinema francês, como melhor ator, por Reis e Rainha, Mathieu Amalric disse que achava sua premiação bizarra porque, no fundo, ele se considera diretor e não ator. Este ano, em janeiro, ele recebeu de novo o César, agora por O Escafandro e a Borboleta, que estréia hoje nos cinemas brasileiros. Duas vezes o prêmio mais importante do cinema francês, numa categoria para a qual o sujeito não se considera habilitado, isso sim é bizarro, mas Mathieu reconhece que, justamente por não ser ator, ele precisa se preparar mais do que os colegas, e isso talvez termine fazendo a diferença. Assista ao trailer dos filmes O Escafandro e a Borboleta, O Balão Vermelho e O Cavalo Branco Foram dois encontros com Amalric este ano - em Paris, em janeiro, justamente após sua segunda premiação no César, e em abril, no Chile, no set de Quantum of Solace, a nova aventura do 007 Daniel Craig, na qual ele faz o vilão. Nas duas vezes, Amalric disse que sempre que está prestes a dirigir, ele recua do seu desejo para atender a novas solicitações como ator. E não são filmes quaisquer. Além de O Escafandro e a Borboleta, de Julian Schnabel - vencedor de prêmios no Festival de Cannes do ano passado, no César e no Oscar -, e Reis e Rainha, de Arnaud Desplechin, Amalric interpretou o Desplechin mais recente, lançado em Cannes, em maio - Un Conte de Nõel -, e participa da megaprodução Quantum of Solace, que estréia no fim do ano.Talvez por não ser um ator, Amalric assume com idêntico entusiasmo o desafio de fazer um paralítico em O Escafandro e a Borboleta e o vilão que tem uma espetacular cena de luta com Daniel Craig. ''Os desafios podem ser de ordem ou natureza diferente, mas, imóvel ou agitado, tenho de me colocar na pele de outra pessoa, e essa é a dificuldade. Tenho de acreditar, para passar aos outros a sensação de que a coisa é verdadeira.'' Vestir a pele de Jean-Dominique Bauby foi uma complicação e tanto. O Escafandro e a Borboleta conta a história do ex-editor da revista francesa Elle, que sofreu um acidente cerebral e ficou paralítico, podendo mover apenas um olho e a língua. Com toda essa limitação, Bauby conseguiu superar seus limites e escrever um livro autobiográfico - que o diretor Schnabel transformou em filme vencedor do prêmio de mise-en-scène (direção) em Cannes.Amalric diz que o desafio maior foi de Schnabel, que se valeu de experiências narrativas e plásticas - ele é também pintor e fotógrafo - para reproduzir na tela a vida interior de Bauby. Segundo o ator, a grande pergunta de O Escafandro e a Borboleta, à qual Schnabel procurou responder, é: pode a realidade ser surreal? Pode-se reproduzir o imobilismo mesmo num meio como o cinema, que se fundamenta no movimento? É um belo filme, uma rara experiência estética e humana. Amaric agradece a Desplechin. ''(Otar) Iosselliani me havia dado um papel em Les Favoris de Lune. Com a promessa de realizar meu sonho de trabalhar por trás das câmeras, Arnaud (Desplechin) me fez seguir atuando. É uma atividade da qual gosto, e os outros gostam de mim, mas não desisto de fazer a direção.''Serviço O Escafandro e a Borboleta (Le Scaphandre et le Papillon, EUA-França/2007, 112 min.) - Drama. Dir. Julian Schanabel. 10 anos. Cotação: Ótimo

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