Masp tem pintura que pode ou não ter saído do ateliê do artista

Ausente na mostra de Hertogenbosch, painel seria uma outra versão da parte central de umtríptico, hoje em Lisboa

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2016 | 08h05

A exposição dedicada aos 500 anos da morte de Bosch serviu, entre outros propósitos, ao de discutir a autenticidade de obras consideradas acima de qualquer suspeita. Há várias versões de As Tentações de Santo Antão que grandes museus exibem como obras de Bosch, mas que, de fato, são pinturas de seus discípulos. Acima, foi citado o caso do museu Nelson-Atkins, que ganhou o selo da comissão organizadora da mostra holandesa, mas outras instituições não tiveram a mesma sorte. O Museu do Prado tem uma versão de As Tentações, mas Bosch já estava morto quando o painel foi pintado (c. 1530-40). 

Trata-se da obra de um seguidor, concluíram – talvez por causa dos monstros que não apavoram ninguém e mais parecem desenhos animados. Outra versão de As Tentações, atribuída também a um seguidor, está na mostra e pertence à coleção Van Lanschot, de Hertogenbosch. Os demônios são também figuras engraçadas, híbridos de libélulas com mamíferos.

Já a versão que o Masp exibe no segundo andar do museu é mais poderosa e francamente “boschiana”. O museu a considera uma versão ao menos em parte autógrafa, saída do ateliê de Bosch – vários especialistas europeus em arte antiga deram seu aval e a reconhecem como tal. No catálogo do museu, optou-se por não colocar em dúvida a atribuição. Seja como for, a pintura é uma obra-prima que merece uma visita.

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