RAFAEL ARBEX/ESTADÃO
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Masp recebe proteção de sua área externa

Condephaat define regulamentação de área envolta, que abrange o Trianon

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

25 Dezembro 2014 | 19h15

Segundo publicação no Diário Oficial do último dia 18, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) de São Paulo aprovou por unanimidade proposta específica de regulamentação para proteção da área envoltória do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Segundo o Condephaat, o Parque Tenente Siqueira Campos (Parque Trianon) está agora incluído no projeto de proteção, além da “via pública que os conecta” (o trecho da Avenida Paulista), e mais os espaços públicos adjacentes, as áreas verdes na parte posterior da edificação e os lotes laterais do museu.

Segundo a reunião do colegiado do Condephaat, a proposta “qualifica a ideia do destaque, ambiência e visibilidade do bem tombado”. O processo é o de número 62136/2013. O Masp é tombado pelas três instâncias de patrimônio – o último tombamento foi o federal, em 2003. Mas, desde meados deste ano, novas resoluções dos patrimônios municipal (Conpresp) e estadual (Condephaat) estavam, na prática, acabando com a proteção que delimitava um raio de 300 metros em volta do bem tombado.

A decisão coincide com a nova fase que vive o Masp, que elegeu uma diretoria renovada no dia 17 de setembro e iniciou um processo de profissionalização de sua gestão. Desde então, o museu conseguiu cerca de R$ 15 milhões em doações de pessoas físicas e patrocínios. Também assumiu uma pendência antiga com a Previdência Social, que vinha sendo contestada judicialmente, o que elevou sua dívida em mais R$ 10 milhões. Ainda assim conseguiu, após anos endividado, entrar em 2015 com uma reserva de caixa.

O “choque de gestão”, no entanto, teve efeitos colaterais. A partir do próximo ano, o preço do ingresso saltará de R$ 15 para R$ 25. O valor dá direito à visitação de todas as exposições em cartaz, mas torna o museu o mais caro da cidade.

Um outro efeito da nova direção é uma série de demissões no museu, o que incluiu funcionários antigos, de cerca de 20 anos de trabalho na instituição. Segundo o presidente do Masp, Heitor Martins, as saídas de funcionários são naturais. “Nós nomeamos um novo diretor artístico e um novo diretor de operações. Essas pessoas estão montando suas novas equipes. Há uma nova gestão nos quadros também”, admitiu.

Maior museu de arte da América Latina, o Masp atrai arquitetos e estudiosos do mundo, dada sua configuração original e seu grande vão livre, de 74 metros quadrados, além do rico acervo, que já foi avaliado em US$ 2 bilhões (na verdade, o valor é incalculável). 

O edifício foi projetado por Lina Bo Bardi em 1958, para abrigar o museu criado pelo empresário Assis Chateaubriand na década de 40. Chateaubriand incumbiu Bardi, marido de Lina, de montar o acervo que começou a funcionar em 1947 na sede dos Diários Associados, na Rua 7 de Abril. Bardi comprou obras raras, como por exemplo seis telas de Modigliani. O prédio foi construído por Figueiredo Ferraz e inaugurado em 7 de novembro de 1968 pela rainha Elizabeth II, da Inglaterra.

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