Sérgio Castro
Sérgio Castro

Masp faz acordo para quitar dívida

Museu ganha novo parceiro que era seu credor

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2015 | 19h45

Paralisadas desde 2012, as obras do anexo Masp Vivo, na Avenida Paulista, devem ser retomadas com o acordo firmado ontem entre o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e a empresa Telefônica Vivo. Com uma dívida acumulada de R$ 14 milhões, que, corrigida, representaria algo em torno de R$ 40 milhões, o Masp conseguiu convertê-la em R$ 10 milhões, que serão pagos ao longo de 20 anos e sem juros – o restante será resgatado em patrocínio institucional e com a colaboração de outros parceiros estratégicos, como o Itaú, que ajuda na recuperação financeira do maior museu da América Latina.

Segundo o anúncio feito ontem, a Telefônica Vivo passa a ser parceira estratégica da instituição. A marca Vivo será exposta em comunicações e sinalizações do Masp, tais como placas de exposições, site e material impresso. Além disso, o museu vai oferecer contrapartida à empresa de telefonia, com a cessão de espaços para atividades culturais da Telefônica Vivo, o que deverá incluir um festival de teatro no auditório do museu, como adiantou ontem, por telefone, o diretor-presidente do Masp, Heitor Martins.

“O acordo é um passo muito importante para o saneamento das dívidas do museu e traz de volta a Telefônica Vivo como patrocinadora”, comemorou Martins, que assumiu as negociações do Masp com a empresa de telefonia há exatamente um ano, concentrando seus esforços em renegociar a dívida que o museu tinha há mais de dez anos com ela, referente ao prédio anexo na Paulista.

Ele não sabe quando será possível reiniciar as obras desse anexo, que deverá garantir ao museu novos espaços para exposições temporárias, além de salas para o setor administrativo e atividades educativas – o espaço físico atual é insuficiente para manter em exposição permanente o acervo do museu, com mais de 8 mil peças, entre elas obras-primas da escola italiana (Rafael, Mantegna, Ticiano), francesa (Renoir, Manet, Cézanne, Monet), espanhola (Goya, Velázquez) e flamenga (Frans Hals, Rubens).

“O prédio anexo tem uma importância fundamental para o museu e vamos buscar parceiros para a etapa posterior, que é a da retomada da reforma”, garantiu Martins, observando que falta definir como será feita a nova obra. “Temos de decidir como faremos a ligação entre os dois prédios”. Ela poderá ser feita por meio de uma passagem subterrânea, que ligaria o subsolo do atual museu ao anexo, ou por uma passarela aérea. Em ambos os casos, essa ligação tem de ser aprovada, uma vez que o prédio do Masp, projetado pela arquiteta Lina Bo Bardi e inaugurado em 1968, é tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan.

A escolha de Martins recai por uma passagem subterrânea, o que, do ponto de vista logístico, permite maior mobilidade no trânsito de obras, funcionários e visitantes entre os dois prédios. “Acredito que todo esse processo ainda deva durar um ano e meio e que a reforma só recomece em 2017”, avalia o diretor-presidente do Masp. A instituição continua promovendo mudanças em sua estrutura interna, tendo, na semana passada, substituído seu serviço educativo, instituído em 1997, pela coordenadoria de Mediação e Programas Públicos.

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