ALEX SILVA/ESTADAO
ALEX SILVA/ESTADAO

Masp abre mostra com obras do acervo

Primeira exposição da nova diretoria artística do museu revela processo de montagem e de pesquisa da coleção

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

19 Dezembro 2014 | 20h30

O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) abre neste sábado, 20, a primeira exposição com curadoria do seu novo diretor artístico, Adriano Pedrosa, Masp em Processo, que reúne aproximadamente 40 obras de seu acervo, calculado em mais de 8 mil peças. A primeira mostra pública da nova etapa do museu, realizada 45 dias após Pedrosa assumir o cargo, é definida por ele como um “ensaio de transição”, distante dos moldes tradicionais de uma exposição acabada, com lista de obras expostas previamente definida. A ideia é revelar o processo de montagem e de pesquisa do acervo, retirando da reserva técnica algumas obras nunca expostas ou que foram raramente exibidas, ao lado de highlights do Masp, como a tela Rosa e Azul, de Renoir, ou o Cristo Abençoador, de Ingres.

Nesta primeira fase, a direção do museu dedica-se ao redescobrimento do projeto arquitetônico original do Masp, projetado por Lina Bo Bardi (1914- 1991) e inaugurado em 1968. Alterado para atender à exigências de vários projetos expográficos, o Masp ganhou paredes artificiais que alteraram essa arquitetura, como no subsolo, concebido para receber a luz externa. No local, ao lado do restaurante, ainda persiste uma camada de arquitetura temporária que abriga a coleção de arte asiática, com mais de 2 mil peças, cedida há três anos – em regime de comodato – pelo diplomata Fausto Godoy. Ela aguarda a liberação do espaço do restaurante, mas isso só deve acontecer quando for resolvida a disputa judicial do prédio anexo.

Pedrosa garantiu que os cavaletes de vidro do projeto original de Lina Bo Bardi, usados como suporte das obras do acervo, voltarão a ser usados no segundo semestre de 2015. Não estão programadas para o próximo ano mostras com obras que não integrem a coleção do Masp. “Isso só deve acontecer em 2016, pois, antes, vamos olhar para a antiga expografia de Lina, restaurando os cavaletes e os painéis que ela desenhou para mostras na antiga sede da 7 de abril.” Algumas alterações, no entanto, deverão ser promovidas no decorrer do ano, entre elas a retirada da bilheteria no vão livre do museu.

A primeira mostra da nova fase deve contar com a colaboração do público visitante que, em janeiro, poderá sugerir a exposição de obras por meio da consulta do catálogo do museu (online ou impresso). A ideia da mostra Masp em Processo, diz Pedrosa, é justamente a de revisitar o acervo sem criar uma ordem hierárquica. Assim, ao lado de uma pintura de El Greco, figura um retrato do pouco conhecido Iray Hirsch, de 1967, passando por um instantâneo da drag queen paulistana Salete Campary, da coleção kitsch (de 1.200 obras) que o crítico Olney Krüse doou ao Masp em 1984.

MASP EM PROCESSO 

Museu de Arte de São Paulo. Av. Paulista, 1.578, tel. 3251- 5644. Ter. a dom., 10h/18h. R$ 15 (grátis às terças). 

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