Mart?nália faz samba e amor até mais tarde

Cantora grava álbum em que quis dar o clima livre e leve das madrugadas que passa ouvindo música, convivendo com os amigos pelos bares e... compondo

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2008 | 00h00

Antes de começar a entrevista, marcada para as 14 horas, Mart?nália boceja e se espreguiça. Desde criança, a cantora troca o dia pela noite. A Madrugada, seu novo CD, ela quis dar o clima livre e leve das madrugadas que passa ouvindo música, bebendo sua cerveja com os amigos pelos bares, compondo. "É na madrugada que eu me solto", conta a cantora, autora, com seus parceiros, de 3 das 13 faixas do disco. Se Pé do Meu Samba (2002), dirigido por Caetano Veloso, marca o início de sua carreira fonográfica (a avaliação é da própria Mart?nália, que lançara dois outros antes desse, mas "de brincadeira"), e Menino do Rio (2005), o mais recente, capitaneado por Maria Bethânia, a projetou ainda mais, Madrugada é seu primeiro CD numa gravadora maior, a Biscoito Fino.Ela conta com a presença de dois amigos de muitos carnavais, Artur Maia e Celso Fonseca, que, considera, a ajudaram a imprimir no disco um certo perfume de sambacharme, explicado com uma mistura do samba com o suingue da música black. Os arranjos foram divididos entre os dois, que também participam de composições e tocam em quase todas as músicas. De Maia, com Mart?nália e Ronaldo Barcellos, é a gostosa Deu Ruim. E também Alívio, parceria com Djavan, gravada por ele - a letra seria de Mart?nália, mas ela acabou não fazendo, e Angola, cheia de palavras africanas.Fonseca, que toca violão e guitarra ("fazia tempo que eu queria uma guitarrinha", diz Mart?nália), assina com Ronaldo Bastos a bonitinha Ela É Minha Cara. O CD traz ainda releituras de Batenda a Porta, clássico de João Nogueira e Paulo César Pinheiro, e Alegre Menina, de Dori Caymmi e Jorge Amado (da trilha sonora da novela Gabriela, na voz de Djavan). Esta última teve bela participação de Luiza Possi.A cantora da Vila do pai, Martinho, atualmente de mudança de Copacabana para a Fonte da Saudade, regrava músicas como essas com gosto, sem se importar com comparações. Sai Dessa (Nathan Marques/Ana Terra), por exemplo, foi gravada por Elis Regina. Mart?nália adora cerveja, e, por isso, os versos: "Hoje eu sonhei que cerveja sai da bica/ No banheiro não tem fila." Outra já gravada antes é Sem Dizer Adeus, do amigo Paulinho Moska.De inéditas, Tava Por Aí (Mombaça/Mart?nália), chiclete que já foi mandada para as rádios, Não Encontro Quem Me Queira (Thiago Mocotó) e Fé (Jorge Agrião/Evandro Lima). Seu "inglês de Vila Isabel" aparece em Don?t Worry, Be Happy, de Bobby McFerrin, à qual, gaiata, acrescentou frases como "Relax e tudo fica diferente!" e "Deixa pra lá!" Ela chegou a pensar em incluir You Are the Sunshine of My Life, de Stevie Wonder ("ele tem muito samba!", justifica). De Martinho, escolheu Tom Maior, a canção de ninar de sua infância.A capa remete à de Menino do Rio. A foto, mais uma vez, foi feita no Arpoador, tendo Mart?nália à frente da bela paisagem carioca. As diferenças: na primeira, é dia, e ela está séria; na segunda, já caiu a noite, e, sorridente, ela faz graça. "Menino do Rio é mais sério mesmo. Eu sempre gostei da madrugada. Minha mãe (a cantora Anália Mendonça) ia cantar e eu ficava esperando ela voltar. Adoro ver o dia amanhecer", explica, sorridente.Seus shows têm feito sucesso na Europa. Recentemente, passou por Amsterdã, Londres, Montreux. No último fim de semana, esteve no Equador. No fim do mês, canta no Rio; chega a Belo Horizonte e, finalmente, a São Paulo, em outubro.

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