Marcelo Moscheta apresenta suas paisagens noturnas

Em uma pesquisa sobre a relação do homem com seu lugar no mundo, artista faz a representação de elementos naturais

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

01 de março de 2009 | 00h00

A paisagem é para o artista Marcelo Moscheta o lugar onde ele se encontra, como diz, e por isso, na exposição que inaugura hoje para convidados e a partir de amanhã para o público na Galeria Leme, suas obras representam a lua, as marés, as pedras e os cumes nevados de montanhas. Não há nenhuma razão para se intimidar em achar que é mesmo pelo apuro estético que Moscheta, de 32 anos, enlaça o visitante nessa sua primeira individual na galeria: a obra mais emblemática do conjunto, um belo desenho gigante em branco e preto denso, feito com pó de grafite sobre chapas de PVC, coloca uma lua cheia perfeita bem próxima de nossos olhos (uma paisagem noturna). Mas, ainda ao andar pelos outros trabalhos da exposição, a sensação é a mesma, a de que há sempre um impacto sensível e pulsante sobre nós a partir desses elementos da natureza ou da formação de um universo - o título da exposição não poderia ser mais oportuno, Gravity, ou seja, a gravidade que nos puxa para esse estado de suspensão e encantamento.Foi no livro O Caminho de San Giovanni, de Italo Calvino, que Marcelo Moscheta encontrou uma passagem que tanto o instigou, a de que um homem encontra o seu lugar no mundo por meio de uma medição de si mesmo com uma paisagem. "Em um dos contos, uma frase dizia sobre o lugar geométrico do Eu e fiquei pensando sobre o que poderia ser uma representação matemática e sensível da paisagem", afirma o artista, que vive e trabalha em Campinas . A solução para o problema foi juntar a representação do elemento da paisagem e situá-lo no mundo e isolá-lo. Na série Pedras, por exemplo, essa operação fica explícita já que o artista faz questão de colocar como parte da composição as inscrições da latitude e longitude do objeto representado como parte do desenho.A natureza é o ponto de partida e motivo da pesquisa artística de Moscheta - impossível não se fazer a relação de suas obras com uma referência às paisagens das telas dos pintores românticos alemães, entre eles, principalmente, Caspar David Friedrich -, mas a questão própria da representação também é muito presente e intensa. O artista trabalha com relações de "antagonismos", diz, entre peso e leveza, claro e escuro e faz até mesmo uma "conversa forte" entre o que seria fotografia e desenho (neste último caso, porque se baseia em registros fotográficos para criar os traços tão realistas de suas obras). Nesse caminho, Moscheta, também entre os artistas selecionados do projeto Rumos Itaú Cultural 2009, que terá sua mostra aberta no próximo dia 11 na instituição e na qual exibirá obra sobre as nuvens, mistura mídias e gêneros: o desenho, o uso de slides - em A Maré, colocada na parede oposta à Lua, o movimento do mar será representado pela imagem fotográfica do mar projetada -, de back-lights e do escultórico. ServiçoMarcelo Moscheta. Galeria Leme. R. Agostinho Cantu, 88, tel. 3814-8184. 2.ª a 6.ª, das 10 h às 19 h; sáb., das 10 h às 17 h. Até 4/4. Abertura hoje, 19 h

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.