Marceau prescindiu das palavras em uma era barulhenta

Morto no sábado, aos 84 anos, mímico francês exaltou a musicalidade do corpo

O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2024 | 00h00

O célebre mímico francês Marcel Marceau, considerado o Charles Chaplin do teatro, morreu no sábado aos 84 anos, anunciou ontem sua família. Não foram divulgadas as circunstâncias de sua morte.Marceau deverá ser enterrado nos próximos dias no cemitério de Père-Lachaise, em Paris. Discípulo do também mímico Ettienne Drecroux, ele era um dos artistas franceses mais conhecidos no mundo.Com seu rosto pintado de branco, suas leves passadas e um chapéu maltrapilho coroado com uma flor vermelha, o famoso mímico abarcou toda a gama de emoções humanas durante mais de 50 anos sem pronunciar palavras. ''''Por acaso, os momentos mais comoventes de nossa vida não nos encontram sem palavras?'''', indagou em certa ocasião.Nascido Marcel Mangel em 22 de março de 1923, em Estrasburgo, na França, Marceau levou a arte da mímica a patamares nunca antes alcançados, revelando por meio do silêncio a musicalidade do corpo. Em 1947, alcançou a fama com a criação do mítico personagem Bip, o pierrô do século 20. O personagem lutava contra as dificuldades do mundo moderno.Marceau fez apresentações no Brasil, em 1997, em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. ''''É complicado ser mímico numa época tão barulhenta'''', desabafou na época. Ele voltaria ao País em 2005 para sua turnê de despedida da América Latina, que incluiu, ainda, Chile, Colômbia e Cuba.De aparência frágil, mas com grande vivacidade, Marceau foi o artífice do renascimento, após a 2ª Guerra Mundial, da arte da pantomima. A manifestação artística, que busca expressar idéias e sentimentos por meio de gestos, havia perdido importância por causa do cinema mudo de Charles Chaplin, Buster Keaton e Laurel e Hardy.Foram Chaplin, Keaton e os Irmãos Marx os inspiradores da arte de Marceau. Ele acabou também trabalhando no cinema, com diretores como Roger Vadim e Mel Brooks. Entre outros, atuou nos filmes Barbarella (1968), Paganini (1989) e A Última Loucura de Mel Brooks (Silent Movie,1976). Neste último, ironicamente, era o único ator a pronunciar uma palavra - ''''Não!'''' -, enquanto todos os demais permaneciam mudos.Criou uma escola de mímica na capital francesa para perpetuar a técnica de sua arte. Única trupe de mímica do mundo, a Companhia Marcel Marceau mereceu aplausos nos principais teatros do planeta, nos anos 50 e 60.Marcel Marceau influenciou o trabalho de inúmeros artistas - o famoso moonwalk de Michael Jackson foi inspirado em Caminando contra el Viento.Marceau foi nomeado Embaixador da Boa Vontade da ONU para o Envelhecimento , além de ter vencido prêmios como o Deburau (1948) e dois Emmys por seus programas de televisão . COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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