Marc Chagall e seus flertes com todas as artes

Mostra em Nova Lima (MG) reúne a produção do artista que estava espalhada por vários países

Eduardo Kattah, O Estadao de S.Paulo

04 de agosto de 2009 | 00h00

Um resumo da extensa e diversificada produção de um dos mestres das artes plásticas no século 20 poderá ser visto em O Mundo Mágico de Marc Chagall, uma grande exposição que será aberta hoje, na Casa Fiat de Cultura, em Nova Lima, na divisa com Belo Horizonte. A mostra reúne 250 obras, entre pinturas, guaches, esculturas e gravuras do artista que flertou com diversas escolas e movimentos, mas desenvolveu um estilo peculiar, influenciado por suas tradições culturais.Durante dois anos, o museólogo, historiador e crítico de arte Fábio Magalhães, que assina a curadoria, trabalhou para arregimentar obras de Chagall (1887-1985) em coleções particulares e públicas da Rússia, França, Suíça, Itália, Brasil e outros países da América Latina. A última grande exposição exclusiva do artista no Brasil foi em 1957, na 1ª Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo. A mostra, que integra as celebrações do ano da França no Brasil, reúne obras da juventude à maturidade do artista.A exposição tem ainda o maior conjunto de gravuras do artista já apresentado no País. É o maior acervo da mostra, composto por séries inteiras e obras pinçadas. A gravura O Casamento - tema recorrente na obra do artista -, por exemplo, possui uma curiosa dedicatória: "Ao meu amigo desconhecido, Mário de Andrade." É a única de um total de cinco gravuras adquiridas pelo modernista, possivelmente o primeiro colecionador de Chagall no Brasil. É muito difícil rotular Chagall, que cunhou uma arte própria, alegórica, na qual realidade e fantasia se misturam. Ele foi influenciado inicialmente pelo cubismo, dialogou com o expressionismo alemão e atraiu a atenção dos surrealistas. Porém, está distante de qualquer classificação modernista. Chagall, que nasceu em Vitebsk (atual Bielo-Rússia), nunca se desgarrou da pequena aldeia natal. Incorporou em seu trabalho lembranças da comunidade judaica, na época confinadas e sujeitas a perseguições na Rússia czarista, e aspectos da seita hassidismo, da qual a família fazia parte. Na sua produção, de visão onírica, pessoas e animais flutuam e assumem estranhas formas e cores. Ao mesmo tempo em que produziu obras para sinagogas, o artista desenvolveu vitrais para catedrais católicas na França e utilizou a imagem de Cristo como uma metáfora do sofrimento durante a hegemonia nazista na Alemanha. A sensualidade também foi um tema bastante abordado pelo artista, que viveu até os 97 anos. A predileção era pelos retratos de Bella, sua primeira mulher. A exposição vai até 4 de outubro na Rua Jornalista Djalma de Andrade, 1.250, Belvedere, Nova Lima (MG), tel. 31 3289-8900.

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