Marasmo é marca do Digitalism

Dupla alemã só pega forte quando toca seus maiores hits

Marcus Vinícius Brasil, O Estadao de S.Paulo

29 de setembro de 2008 | 00h00

Quase um ano após cancelar sua vinda ao Brasil às vésperas de um show em São Paulo, o Digitalism finalmente se apresentou no País. Anunciada como uma das principais atrações do Skol Beats, a dupla alemã entrou no palco principal com meia hora de atraso. E apesar de toda a demora na instalação do cenário hi-tech, com telão e muitas luzes, o show morno não convenceu quem esperava desde as 3 horas da madrugada pelo começo do som. Jens Moelle e Ismail Tuefekci tocaram principalmente material do seu álbum de estréia, Idealism, e tiveram de se esforçar muito para animar a platéia. Não foram poucas as vezes em que os alemães incitaram o público a "mexer o traseiro", em inglês de sotaque arrastado, entre uma música e outra. Em resposta, a multidão se restringiu a responder os apelos com gritos tímidos de apoio.Ao contrário dos franceses do Justice, que mal se moveram atrás da parede de amplificadores, o Digitalism levou a sério a idéia de que uma atitude roqueira pode tornar a música eletrônica mais interessante. Além de muitas das faixas de Idealism utilizarem guitarras pré-gravadas, a dupla usou instrumentos ao vivo e pulou muito sobre o palco para tentar espantar a falta de empolgação. Mas ainda é preciso muito treino para a performance dos alemães melhorar. Visivelmente acima do peso, Tuefekci tocou uma bateria eletrônica sem muito jeito, pegou no microfone para cantar um ou outro refrão e pedir mais resposta do público. Moelle, vestindo uma camiseta da banda inglesa Joy Division, tocou teclado e ficou responsável pela maioria dos vocais. Cantou em Idealistic e Pogo - um dos maiores sucessos do Digitalism - no encerramento do show. Apesar de a maior parte da apresentação ter sido dominada pelo marasmo, houve alguns momentos de brilho. Difícil não se mexer ao som de Digitalism in Cairo, um remix de Fire in Cairo, do Cure. Na música, Tuefekci e Moelle recortaram o refrão da original para misturá-lo com linhas de baixo e notas de teclado eletrônicas. Outro destaque foi Zdarlight - um dos maiores hinos das pistas de dança entre 2006 e 2007. Mesmo com dois anos de idade, a faixa ainda empolgou quem estava na arena do Anhembi. Desde seu surgimento, o Digitalism mudou muito. Após emplacar alguns sucessos, o lançamento de Idealism mostrou que a dupla estava deixando de lado a eletrônica tradicional para se arriscar em empreitada mais roqueira. Apesar do resultado em estúdio soar bem, ao vivo não conseguiu convencer. Tendas LotamApesar de o Skol Beats ter sido marcado por muitas atrações que misturaram rock com música eletrônica, a maior parte da escalação ainda foi dedicada aos artistas que dispensam o som de guitarras. Como é de praxe no festival, as tendas continuaram sendo responsáveis pela maior concentração - e aperto - do público. Dubfire, metade da dupla de house Deep Dish, foi o principal destaque da Tenda Skol - a mais distante do palco principal. Ao contrário do som que tornou seu antigo duo famoso, o DJ fugiu do lado mais pop da eletrônica. Tocou faixas hipnóticas e minimalistas, compassadas por bumbos em ritmo de bate-estaca. Dubfire tocou por cerca de duas horas e segurou o público firme até a última música. No mesmo local ainda se apresentaram o francês Agoria e os brasileiros Anderson Noise e Murphy - que encerrou a escalação por ali. Na Tenda Terra, dedicada à house, Miguel Migs foi o DJ mais esperado por aqueles que acompanham o gênero desde meados dos anos 80. Migs tocou para um público minguado, se comparado com o da Tenda Skol, mas fez a alegria de quem estava à procura de um som mais leve para aliviar a cabeça.

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