Maracangalha agora fica no Rio

Pela primeira vez após a morte do pai, Dori, Nana e Danilo Caymmi se reúnem para espetáculo e mostra

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

11 de junho de 2009 | 00h00

Faz tempo que Nana, Danilo e Dori Caymmi não se encontram num palco. Hoje à noite, os filhos de Dorival Caymmi cantarão no Teatro Tom Jobim, no Jardim Botânico, no Rio, pela abertura da exposição Caymmi Acervo Digital, na qual serão exibidos fotos, desenhos e documentos do compositor baiano que o público nunca viu. Será, também, uma homenagem póstuma ao pai - trata-se do primeiro show dos três depois de sua morte, que faz um ano em agosto.Nana ficará com os sambas-canções, como Só Louco, Não Tem Solução e Nem Eu, que interpreta como ninguém. A Danilo, que também tocará flauta, caberão os chamados "sambas sacudidos" Acontece Que Eu Sou Baiano, Vatapá e O Que É Que a Baiana Tem?; Dori, ao violão, ficou com as canções praieiras: O Bem do Mar, Morena do Mar, É Doce Morrer no Mar... No piano, estará Cristovão Bastos, o parceiro de longa data de Nana. Ao fim, os três irmãos cantam juntos. Na segunda-feira, quando conversou com o Estado, Danilo não tinha se dado conta de que este seria o primeiro encontro no palco depois do sofrimento do ano passado, quando eles perderam o pai e a mãe num intervalo de 11 dias. A última vez em que se apresentaram juntos foi num evento fechado no fim de 2007, se a memória de Nana não falhou. A cantora, talvez a que tem mais dificuldade de assimilar a perda dos pais, prefere não pensar que este show será mais emocionante do que os que já passaram. "O fato de haver público não influi nas minhas emoções... Eu estou indo aos poucos. É uma dor que não passa, que é eterna. Mas é claro que é muito bom estar com meus irmãos no palco."É Danilo quem está supervisionando o trabalho, realizado já há um ano, de digitalização do acervo musical de Caymmi, que será celebrado nesta noite. O projeto, patrocinado pela Natura Musical, é tocado pelo Instituto Antônio Carlos Jobim, que criou o excelente portal www.jobim.com.br, no qual é possível encontrar partituras, letras e fotografias, além de notícias relacionadas à sua obra e à de Tom e dados biográficos detalhados. "A ideia é que seja nos mesmos moldes, para pesquisadores do mundo inteiro poderem acessar. Foi uma escolha minha, até pela amizade das duas famílias", conta Danilo. Estão sendo convertidos para mídias digitais fitas, cartas, recortes de jornais e agendas de trabalho de Caymmi, além de músicas, fotos e capas de discos. O público poderá ainda ouvir suas composições. O instituto, que também trabalhou com os guardados do arquiteto Lucio Costa, no momento se ocupa ainda do acervo de Chico Buarque. Caymmi não colecionava somente sucessos, amigos e admiradores. Nana quer que objetos do pai - quadros, comendas, bengalas, livros, discos, certidões e até documentos de identidade que ele tirou ao longo de seus 94 anos, que ainda estão no apartamento de Copacabana onde morava -, fiquem no novo Museu da Imagem e do Som, que ainda será construído (também no bairro). Chegou a ser aventada a possibilidade de se montar um museu na Bahia, mas Nana prefere que tudo fique no Rio, cidade onde Caymmi morou por 70 anos e onde criou sua família. "Quero que seja aqui, e na gestão do (governador) Sérgio Cabral. No Rio, sempre vai ter os filhos, netos e bisnetos para tomar conta", defende ela.O show com Nana, Danilo e Dori Caymmi começa às 20h30 no Teatro Tom Jobim (Rua Jardim Botânico, 1.008, no Jardim Botânico (ingressos R$ 50; R$ 25 para estudantes e idosos). A exposição Caymmi Acervo Digital, realizada no mesmo endereço, ficará aberta até o dia 12 de agosto, com entrada franca, de segunda a sexta-feira das 10 às 17 horas.

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