Maracanã lotado para The Police

Depois de 24 anos, banda volta a tocar no País em turnê milionária e badalada

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

O grupo inglês The Police, um power trio de rock, faz esta noite, no Estádio do Maracanã, para um público estimado em 80 mil pessoas, o maior show de arena do ano (até anteontem sobravam apenas 8 mil ingressos). Talvez esse seja o grande mistério da turnê de retorno que o grupo está fazendo pelo mundo, 24 anos após se separar: como um trio de rock básico, baixo, guitarra e bateria, consegue manter a atenção de multidões em estádios? Para U2, Rolling Stones e outros megalôs do rock, isso é fácil, porque a tecnologia faz 50% do serviço.O show de abertura será do grupo brasileiro que mais influência sofreu do Police, os Paralamas, e começará pontualmente às 20 horas.''''Agora, mais que meramente uma turnê, nós surgimos na crista de uma onda gigante - um tsunami impulsionado pela música com uma luz na neblina do poder, sexo e dinheiro. Esse tipo de sucesso parece um ato de penetração em praça pública.''''Quem disse a frase foi o guitarrista Andy Summers, do Police. Ele disse isso em 1982, um ano antes de lançar o seu quinto e último disco, Synchronicity, o de maior sucesso comercial (vendeu 8 milhões de cópias só nos Estados Unidos). O título se referia à teoria de Carl Jung sobre coincidências significativas.Depois disso, o Police acabou - a capa de Synchronicity já dava a pista sobre a divisão entre seus três integrantes, mostrando Stewart Copeland (bateria), Sting (voz e baixo) e Summers (guitarra) em três faixas de cores diferentes, separadas como fotografias rasgadas.Não que seja uma surpresa o retorno do Police. Desde The Who, Cream e Led Zeppelin, passando por Eagles, Fleetwood Mac, Van Halen e The Pixies, a moda agora é o retorno triunfal (e milionário) de alguns grupos históricos do rock. O Police, desde sua reentrée, já fez quase 70 concertos nos últimos 7 meses.Surgido em meio a uma efervescência musical que foi batizada genericamente de ''''new wave'''', na virada dos anos 1970 para os 1980, o Police era inicialmente uma imitação de punk para a classe média, o que parecia bastante claro com seu disco de estréia, Outlandos D''''Amour (1978). Sua formação se deu assim: Copeland tinha tocado anteriormente com o Curved Air e convidou o desconhecido Sting, um professor de Newcastle, para juntar-se à sua nova banda, The Police, empresariada por seu irmão, Miles. Summers vinha de participações em shows de Zoot Money, Eric Burdon, Kevin Coyne e outros. Sting e Copeland o recrutaram após ouvirem sua guitarra na música Strontium 90.Mas, integrado por três músicos exímios, e com um dos vocalistas mais originais da cena pop em todos os tempos, logo a banda afirmou-se na cena européia com seu próprio estilo e conceito. A virada se deu com seu segundo álbum, Reggata de Blanc (1979), cujo título seria um tipo de pseudofrancês (ou inglês pidgin) e significaria ''''reggae branco''''. O Clash já tinha feito reggae branco com mais energia e talento, mas era a onda da hora. O disco abria com Message in a Bottle, um dos maiores sucessos da banda, e é até hoje o disco preferido dos três integrantes.O show é, como não poderia deixar de ser, perfeito em timing, performance e roteiro. Começa às 21h30 com Message in a Bottle e termina duas horas depois com Roxanne (megassucesso que entrou até na trilha de Moulin Rouge). No meio desse sanduíche de hits, Every Breath You Take, Invisible Sun, Walking in Your Footsteps, Wrapped Around Your Finger, e por aí vai.A banda chegou do Chile na quinta-feira e hospedou-se no Copacabana Palace. No Chile, Copeland cometeu uma grosseria: disse que só com quatro cervejas na cabeça teria um affair com a presidente Michelle Bachelet. Enviou uma carta pedindo desculpas, que foi levada a ela por Sting.

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