Manipulação de boneco exige preparo físico

Para segurá-lo durante 35 minutos ininterruptos, o ator André Dias faz musculação

Ubiratan Brasil, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 00h00

No início, era torturante. "Depois de alguns minutos, não conseguíamos segurar mais os bonecos", conta Sabrina Korgut, que manipula dois em Avenida Q. "Hoje, já consigo ficar 35 minutos, no primeiro ato, sem abaixar o braço", orgulha-se André Dias, que também dá vida a dois personagens inanimados.Entre um momento e outro, o grupo (que conta ainda com Fred Silveira, Gustavo Klein, Mauricio Xavier, Renata Ricci e Renato Rabelo) alternou horas de musculação e preparação física com o delicado trabalho de manipulação, que implica segurar o boneco com um dos braços e movimentar as mãos com outro."A primeira exigência é abrir mão do ego", acredita Dias. "Afinal, o público deve olhar para o boneco e não para o ator." Outro desafio, no entender de Sabrina, é o mesmo manipulador criar personalidades bem distintas para os dois bonecos que carrega. "Não basta mudar apenas a voz - os movimentos também são exclusivos."A sincronia também é necessária, pois os atores fazem a voz, em determinados momentos, de bonecos que estão no braço de um colega. "Às vezes, estou no bastidor, dizendo o texto do boneco que está em cena", conta Sabrina. Assim, a exigência é mental e física: de tanto suar, André precisa trocar duas vezes a camiseta durante o espetáculo.

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