Mamberti foge do Rio para gerir

Novo presidente da Funarte diz que mudança vai aproximar fundação das decisões e será boa para todos

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

27 de novembro de 2008 | 00h00

O ator Sérgio Mamberti, novo presidente da Funarte, assumiu na semana passada uma estrutura historicamente deficiente, mas que não é um problema pequeno. Para atender a demandas de todo o País, a Funarte conta com cerca de 600 funcionários e, até este ano, um orçamento de R$ 58 milhões (com pouco mais de R$ 20 milhões para aplicar em atividades, segundo o ministro Juca Ferreira)."Veja bem: a gente tem pouco tempo. São dois anos que na verdade não são dois anos", ponderou o novo presidente. Para mudar o foco e começar a gestão com tranqüilidade, a primeira decisão foi mudar a sede da Funarte do Rio de Janeiro para Brasília, onde Mamberti começará a despachar já em janeiro."Não tem perda para o Rio. É para aproximar dos centros de decisão do poder. O próprio estatuto da fundação já prevê que a sede é em Brasília. Ficou no Rio circunstancialmente. Mas eu pretendo também passar uma parte da semana no Rio e outra em São Paulo", disse.Outra decisão da nova gestão foi instituir um Conselho Curador e um colegiado para aconselhamento. "A Funarte era muito presidencial. O conselho será uma instância de peso nas decisões, como o Conselho Nacional de Política Cultural", disse Mamberti ao Estado na semana passada.Ele elogiou os antecessores no cargo, os também atores Antonio Grassi e Celso Frateschi, que trabalharam com limitação de recursos e conseguiram avanços. "Desde o começo, o Grassi percebeu a exigüidade dos seus recursos e foi buscar recursos externos para fazer os editais. Conseguiu robustecer a fundação. Abriu diálogo com todo o Brasil e com os países latino-americanos. Ele e o Frateschi restabeleceram o projeto Pixinguinha e implementaram os editais e bolsas, que são uma maneira transparente de trabalhar.""Mas é preciso buscar outros mecanismos. O apoio não pode ser somente à produção, mas também para a circulação e acessibilidade. Vamos retomar as câmaras setoriais e criar uma institucionalização dos recursos, para que a gente não fique mais na dependência dessas parcerias, porque há circunstâncias, como um ano bom e outro menos bom, que pode prejudicar a continuidade dos projetos."O apoio "circunstancial" a que se refere Mamberti é o dinheiro da Petrobrás, que subsidiou grande parte dos editais da fundação nos anos recentes, mas que está ameaçado de minguar por conta da crise financeira internacional. "Não podemos depender desses aportes, que devem continuar vindo. Temos de ter orçamento."A maior esperança para o ano de 2009 repousa numa mesa do Congresso. São duas emendas parlamentares propostas pelo Senado e pela Câmara que aumentam em R$ 1,1 bilhão o orçamento do Ministério da Cultura, e que subordinam uma parte desse incremento orçamentário a investimentos na Funarte. O ministro Juca Ferreira fala em elevar para até R$ 300 mil o orçamento da fundação, caso as emendas sejam aprovadas.Mamberti compartilha o diagnóstico do ministro Juca Ferreira sobre a Funarte. Ferreira diz que a fundação foi uma das estruturas sucateadas no governo Collor, e os ministros que vieram depois não conseguiram ainda reativá-la. A Funarte chegou a disputar com produtores e artistas os recursos da Lei Rouanet, uma "distorção", na visão de Juca Ferreira. Em reunião com produtores culturais em São Paulo, há 20 dias, Ferreira chegou a dizer: "Se tiver alguém aqui de dança, tem razão de reclamar, porque o apoio às artes foi a única área que não cresceu na gestão."NÚMEROS58 milhões foi o orçamento da Funarte em 2008, com apenas R$ 20 milhões para atividades300 milhões é quanto Sérgio Mamberti espera contar para iniciar as atividades em 2009, dinheiro que viria de duas emendas parlamentares

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