MAM do Rio investe na arte de cara lúdica

Exposição, que começou em outubro, já é um hit na agenda dos cariocas

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

19 de novembro de 2007 | 00h00

Do primeiro andar do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio, ouvem-se gritos e gargalhadas infantis. Subindo as escadas, a cena: crianças correndo e pulando entre obras de Ernesto Neto, Yoko Ono, Lawrence Weiner, Amilcar de Castro e outros oito artistas plásticos contemporâneos. É tudo permitido. Em cartaz até 2 de dezembro, a exposição Arte para Crianças foi montada justamente para elas interagirem com os trabalhos, tocá-los, sujá-los, modificá-los.Nos rostinhos, a certeza de que arte rima com diversão: ''''É muito legal! O que eu mais gostei foi a piscina de bolas'''', diz Sofia, de 4 anos. Favorita da maioria dos visitantes, a ''''piscina'''' de que a menina fala é o Uni Verso Bebê II Lab, estrutura branca em tecido e isopor de Ernesto Neto. A entrada remete ao útero materno. Dentro, numa espécie de colchão molenga de superfície ultramacia, repousam bolinhas também brancas. Os pequenos deitam e rolam, uns por cima dos outros.''''É incrível, delicioso, para crianças de todas as idades e para nós também. Dá para trabalhar bem a parte sensorial'''', acredita a professora Eva de Castro, em visita à exposição para depois levar seus alunos, numa excursão. Após sair da Uni Verso, Eva se dirige às Árvores de Desejo, de Yoko Ono, onde crianças e adultos deixam seus votos mais sinceros em pedaços de papel, pendurados em folhas e galhos. ''''Menos guerra no Brasil'''', lê-se num deles. ''''Eu quero vir aqui de novo'''', pede outro. Na semana passada, em turnê pelo Brasil, Yoko este no MAM prestigiando a mostra.Logo na abertura da exposição, outra obra de Yoko faz incrível sucesso. En Trance (entrada em inglês, mas também ''''em transe'''') é constituído de uma grande estrutura branca, com ''''portas'''' de formatos e tamanhos diferentes, uma espécie de escorrega, uma parede de espelhos, uma cortina de bolinhas azuis. Foi idealizada especialmente para a mostra. As crianças dão pulos, se arrastam pelo chão, riem das imagens refletidas. ''''Achei o espelho muito interessante. É tridimensional'''', avalia, concentrado, João Marchesini, de 7anos, levado pela tia junto com o irmaõzinho de 4.Em frente à En Trance, está a instalação A Nave e o Imaginário, de Eduardo Sued. A armação em madeira colorida, os tecidos jogados sobre ela, os papéis picados pelo chão - tudo é ferramenta para brincadeira. ''''Ao contrário dos adultos, as crianças não vêem a arte com tanto peso; não têm compromissos ou preconceitos'''', opinou um dos monitores do museu.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.