Romulo Fialdini
Romulo Fialdini

MAM de São Paulo exibe obras de seu acervo mostradas nos EUA

Museu de Arte Moderna paulista remonta, em sua sede, a exposição que esteve em Phoenix em 2017

Pedro Rocha, Especial para o Estado

23 de janeiro de 2019 | 03h00

Em 2017, o público de Phoenix, capital do estado norte-americano do Arizona, teve a oportunidade de conhecer algumas das principais obras do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, numa exposição realizada no Phoenix Art Museum, focada em arte brasileira. Agora, o público brasileiro vai ter a oportunidade de ver a mesma exposição montada no próprio MAM. 

A partir desta quarta-feira, 23, será aberta ao público a mostra Passado/Futuro/Presente, uma seleção de 72 obras de arte contemporânea do acervo do MAM, focada especialmente em obras recentes, dos anos 1990 e 2000. As obras são as mesmas que haviam sido expostas em Phoenix, na primeira exposição de trabalhos do museu paulista nos EUA. 

Com curadoria conjunta da norte-americana Vanessa Davidson, do Phoenix Art Museum, e do brasileiro Cauê Alves, do MAM, a ideia central da exposição original era mostrar um conceito de brasilidade diferente do que o público estrangeiro está acostumado. "A nossa ideia era trazer uma arte não muito conhecida entre eles mesmo, principalmente a partir dos anos 90, mas com algumas âncoras históricas, como Waltércio Caldas e Antonio Manuel", explica Alves."Quisemos romper certos estereótipos de arte brasileira, trazer trabalhos em que a multiplicidade aparecesse, que os vários sotaques pudessem surgir", acrescenta o curador. "Ainda existe uma ideia de samba, futebol e carnaval quando se fala de Brasil."

A exposição conta com nomes importantes da arte contemporânea nacional, como Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Tunga, Carmela Gross e Nelson Leirner. A decisão curatorial foi dividir a mostra em cinco núcleos, intitulados O corpo/O corpo social, Identidades mutáveis, Paisagem reimaginada, Objetos impossíveis e a Reinvenção do monocromo

O título da exposição, Passado/Futuro/Presente, também é um guia curatorial, segundo Cauê. "A gente quis evitar uma compreensão da arte brasileira muito cronológica. Cada obra de arte tem uma compreensão do passado e abre caminhos para o futuro", esclarece. "Em todo presente está contido algo do passado e do futuro."

Para a curadora Vanessa Davidson, a mostra, em sua exibição original nos EUA, cumpriu seu papel de desmistificar a arte brasileira. "Foi a primeira exposição de arte brasileira no sudoeste dos EUA. A comunidade gerou teve um entusiasmo grande e a imprensa destacou como uma das melhores exposições de 2017", revela a norte-americana, que já havia estudado a arte brasileira e é encantada pelo acervo do museu. "Acho que é importante destacar que o processo de seleção das obras foi só um dos vários caminhos possíveis de serem feitos dentro da coleção do MAM."

Por coincidência, a realização da exposição em São Paulo acontece logo após uma mostra comemorativa dos 70 anos do MAM, encerrada no ano passado. Lá, já estavam algumas obras que continuam em exibição e vão poder ser vistas, também, em Passado/Futuro/Presente, como Sem Título (1997), de Rosana Paulino, e 50 horas: auto-retrato roubado (1992-93), de Rochelle Costi.

Passado/Futuro/Presente

MAM. Parque Ibirapuera - Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº. Tel. 5085-1300. 3ª a dom., 10 às 18h. R$ 7, gratuito aos sábados. Até 21/4.

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