Mais anos 70

As moças estão mais femininas nesta temporada, que evoca os ares românticos e sensuais das Lolitas em babados e florais, que reinam absolutos em estampas, bordados e adereços

Sylvain Justum, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2008 | 00h00

No sol do Rio de Janeiro, a moda continua respirando os anos 70, com os ares românticos e sensuais das Lolitas, cercadas por um jardim de flores. Dos 41 disputados desfiles do Fashion Rio, evento que terminou na sexta-feira à noite, este é o principal cenário para as estações primavera-verão 2008/2009.O clima relaxado e libertário dos 70? s aparece nos vestidos longos e pantalonas de cintura alta, com chapéus de abas largas fazendo a cabeça das neohippies e florais reinando em estampas, bordados e adereços. As moças estão femininas. Elas deixam o lado masculino de temporadas passadas no closet original e saem caminhando contra o vento com lenço, documento e muito babado.Camadas e mais camadas de babados sinalizam a trilha megagirlie do verão. Em versão multicor, dão vida ao elegante jardim francês da Sta. Ephigênia que, sob o comando-solo de Luciano Canale, acerta a mão em elegante coleção de clima retrô batizada de Picnic Garden.Longos vestidos e saias lápis ganham estampas aquareladas e, de cintura marcada e capeline na cabeça, rejuvenescem a aristocrática mulher da grife, antes estacionada na nostalgia de décadas ultrapassadas. Mulher jovem e jardim florido combinam também na cabeça de Helô Rocha, a natalense mais paulista do País, que vem afirmando sua Têca como uma das grifes mais consistentes do evento. Abusando do mix de estampas e padronagens - outra aposta de oito entre dez grifes -, a Têca propõe todos os comprimentos para saias e vestidos leves e floridos, no mais puro linho, arrematados por cintos fininhos e botinhas de camurça tipo London Fog. Bem fofo.No Rio, simpática também é a nova imagem da Maria Bonita Extra, que vai buscar no livro O Amante, de Marguerite Duras, a inspiração para vestidos franzidos com cintos de couro, completados por sapatos e chapéus masculinos. Já o jardim da Apoena, de Brasília, capricha no trabalho artesanal cobrindo peças com flores, folhagens e borboletas bordadas em branco e cru, intercaladas por xadrezes e listras. Com mais domínio de modelagem, a mão-de-obra de 300 bordadeiras encanta pela delicadeza, fugindo do regional para criar uma imagem global. Feito conseguido também pelo pernambucano Melk-Z-Da, que a cada estação galga uma posição rumo à expansão da marca para além de seu Nordeste natal. Sem perder o charme da técnica manual de bordar, aplicar e nervurar, o estilista investe em babados e faz vestidos com aplicações de resina por baixo da organza. Sua mulher estaria na mesma festa que a de Walter Rodrigues, poderosa em seu little black dress tomara-que-caia ( decote da estação), o preferido de Audrey Hepburn que, na era do dragão, ganha bordados e dobraduras chinesas. Falou em festa, falou em Lenny Niemeyer. Da festa para a areia, vá a bordo de um de seus requintados maiôs, perfeita tradução do beach couture, onde a moda praia vira luxo, com recortes assimétricos e aplicações de ágata, desfilada pelo poderoso casting com inspiração marinha. Caminho seguido pela Salinas, que aposta em sereias frufrus, cheias de babados e drapeados para refrescar areias escaldantes.E fechando o evento em grande estilo, a Redley fez mais um desfile impecável, com roupa de alta qualidade e de pegada esportiva, onde os meninos arrumaram um novo acessório: as meninas. Tudo com uma precisa cartela de cores e materiais explicitamente confortáveis.

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