Maffesoli, Muntadas e a pós-modernidade

Sociólogo francês e artista catalão falam sobre o espaço da memória, na série Fronteiras do Pensamento, em Porto Alegre

Elder Ogliari, O Estadao de S.Paulo

23 de novembro de 2007 | 00h00

A reunião do sociólogo francês Michel Maffesoli com o artista plástico catalão Antoni Muntadas na conferência O Espaço da Memória cruzou olhares diferentes sobre a pós-modernidade no curso de Altos Estudos Fronteiras do Pensamento e em entrevista coletiva, terça-feira, em Porto Alegre.Maffesoli, diretor do Centro de Estudos do Atual e do Cotidiano da Universidade de Paris 5, estudioso da complexidade da comunicação moderna, negou o individualismo contemporâneo para afirmar que a sociedade tenta retornar ao tribalismo montando grupos por identificação sexual, cultural e esportiva, entre outras opções.Muntadas, especialista em buscar reações individuais em instalações e intervenções que convocam ao envolvimento, preferiu lembrar que, mesmo nesses grupos, nem todos compartilham das mesmas escolhas quando o tema é diferente do que motivou a aproximação.Para o professor francês, há uma defasagem entre a inteligência, que continua falando em individualismo, e o que o homem está encontrando, as novas formas de tribalismo. ''''Há sinergia entre o arcaico e o desenvolvimento tecnológico'''', diz Maffesoli, que vê no candomblé e no sucesso de histórias como O Senhor dos Anéis sinais sociológicos de que o mundo buscando reencantamento.Michel Maffesoli diz que o Brasil é um dos laboratórios da pós-modernidade, assim como a Europa foi da modernidade. ''''Lenin definia a modernidade como sendo a eletricidade mais os sovietes, defino a pós-modernidade como o candomblé mais a internet.''''O sociólogo afirma que na pós-modernidade não há mais uma cultura vertical apontando prioridades, todas as coisas podem ser vividas e experimentadas.Muntadas preferiu citar o conceito do museu imaginário, de André Malraux, para destacar que cada um pode selecionar o que lhe interessa para colocar em seu museu, seja um poema, uma pintura. O catalão também se mostrou cético em relação ao reencantamento visto por Maffesoli e chegou a interpretar algumas práticas religiosas modernas, entre elas as peregrinações com grande apelo mercadológico, como uma mistura de exotismo com criação de produtos turísticos.

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