Jewel Samad/AFP
Jewel Samad/AFP

Lygia Pape ganha sua primeira retrospectiva nos EUA

'A Multitude of Forms' traz pinturas, desenhos, esculturas, instalações e filmes criados pela artista fluminense

Tonica Chagas, ESPECIAL PARA O ESTADO

22 Março 2017 | 19h59

NOVA YORK - A primeira retrospectiva de Lygia Pape (1927-2004) exibida por um museu norte-americano foi aberta na terça, 21, no Met Breuer, espaço que o Metropolitan Museum, de Nova York, inaugurou no ano passado e é dedicado exclusivamente à arte moderna e contemporânea. Lygia Pape: A Multitude of Forms traz pinturas, desenhos, esculturas, instalações e filmes criados pela artista fluminense em 50 anos de carreira. No sábado, 25, a partir das 11 horas, um dos exemplos da arte de Lygia ganha o espaço das ruas no centro de Manhattan: uma remontagem da performance Divisor (30 metros de tecido branco com fendas por onde as pessoas participantes só mostram a cabeça), encenada pela primeira vez, no Rio, em 1968, vai percorrer os dez quarteirões entre a sede do Met, na 5.ª Avenida, e o Met Breuer, na Madison.

Com Lygia Clark (1920-1988) e Hélio Oiticica (1937-1980), Lygia Pape formou a principal trindade do neoconcretismo brasileiro. Em trabalhos como Divisor e Roda dos Prazeres, também de 1968, ela foi uma das primeiras artistas a integrar o espaço da arte com o do observador, um marco da arte do século 20. Lygia mereceu retrospectivas no Centro de Arte Reina Sofia, em Madri, e na Serpentine Gallery, de Londres, em 2011, e no ano seguinte na Estação Pinacoteca, em São Paulo. Em 2010, Divisor foi vista na abertura da 29.ª Bienal de São Paulo, e em 2013 foi remontada nas ruas de Hong Kong.

A retrospectiva no Met Breuer tem seções dedicadas a séries de relevos como Tecelares, da década de 1950, livros experimentais dos anos 60 e séries fotográficas sobre a vida urbana carioca, como Favela da Maré (1974-1976) e Espaços Imantados (1982 e 1995). Completam a exposição alguns filmes experimentais que Lygia fez com diretores do Cinema Novo, além de seções com esculturas e instalações, entre as quais Amazoninos (1989-1992), Banquete Tupinambá (2000) e Ttéia (1976-2004). Esta última, exibida em 2009 na 53.ª Bienal de Veneza, ocupa uma galeria especial no Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), desde 2012.

Ao combinar abstração geométrica com noções de corpo, tempo e espaço para integrar o objeto de arte com a experiência de vida, Lygia Pape é vista por Iria Candela, curadora do Departamento de Arte Moderna e Contemporânea do Met que organizou a retrospectiva, como “uma figura crítica no desenvolvimento da arte moderna brasileira”. Lygia Pape: A Multitude of Forms fica em exibição no Met Breuer até 23 de julho.

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