Lumière vai para Entre les Murs e Vincent Cassel

Ator leva troféu por Mesrine e Yolande Moreau é a melhor atriz por Séraphine

Luiz Carlos Merten, PARIS, O Estadao de S.Paulo

21 de janeiro de 2009 | 00h00

Pela manhã, Vincent Cassel havia dito ao repórter do Estado que Mesrine, Inimigo Público Número Um provavelmente não teria sido feito, se ele não estivesse tão determinado a interpretar o célebre criminoso francês dos anos 60 e 70. Barbet Schroeder ia dirigir o filme, mas Cassel achou que seu roteiro era muito favorável ao personagem, a quem transformava em herói. Ele abandonou o projeto e o produtor Thomas Langman, filho de Claude Berri - que morreu na semana passada -, preferiu trocar o diretor, substituindo Schroeder, de O Advogado do Terror, por Jean-François Richet. O resultado foi o díptico que fez sucesso de público e crítica nos cinemas franceses, no ano passado.Cada um dos filmes fez cerca de 2 milhões de espectadores. Na segunda à noite, um Cassel provocativo e exuberante, como o próprio Mesrine, recebeu o Lumière de melhor ator do ano. O prêmio é outorgado pela Associação dos Cronistas Estrangeiros de Paris e, como o Globo de Ouro costuma ser considerado um aperitivo do Oscar, o troféu que leva o nome dos pioneiros do cinema - Louis e Auguste Lumière - também costuma ser definido como uma prévia do César, o Oscar francês, em fevereiro.Os prêmios Lumière foram entregues na segunda à noite, numa festa na prefeitura de Paris. O espaço onde ocorre a entrega dos troféus é minúsculo. Muita gente ficou de fora, mesmo com convites nas mãos. Na sequência, houve um coquetel nos históricos salões da prefeitura. Só para saborear a arquitetura de espaços normalmente fechados para o público já valeria ir à entrega do Lumière. A festa integra a programação da Unifrance nos Rencontres du Cinéma Français. Afinal, o que interessa é justamente atrair a atenção da imprensa estrangeira sobre o cinema francês.O grande vencedor da noite - Lumière de melhor filme - foi Entre les Murs, de Laurent Cantet, que deve estrear em março no Brasil. O filme usa uma sala de aula dos subúrbios de Paris, com sua diversidade étnica, para refletir sobre a sociedade francesa atual. Entre les Murs já havia ganho a Palma de Ouro em Cannes, no ano passado. Seu título internacional é The Class, a sala de aula. Cantet levou seus alunos. A garotada - loirinhos que parecem nórdicos e descendentes de árabes e africanos - viveu novo momento de glória, após a Palma de Ouro. Todos sonham agora com o César. Cantet confirmou que vai ao Brasil para a estreia de Entre les Murs, ainda sem título em português.Cantet levou o Lumière de melhor filme, mas não o de melhor diretor, outorgado a Raymond Duperyron, por Aide-toit le Ciel t?Aidera, uma comédia social a meio caminho entre humor negro e ternura, sobre africana, mãe de quatro filhos, que casa a filha em Paris, num dia particularmente quente de verão. Os bastidores da festa não são muito divertidos e ela ganha apoio de um vizinho solitário. O Lumière de atriz foi para Yolande Moreau, por Séraphine, de Martin Provost. O filme resgata uma artista desconhecida do começo do século passado - a faxineira de Picasso, uma autodidata cujos quadros seduziram o colecionador alemão Wilhelm Uhde, mas isso não foi suficiente para que se rompesse o silêncio em torno dela.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.