Luiz Caldas agora é heavy metal, frevo, samba...

Inventor do axé vai lançar dez CDs cantando ritmos que o fizeram querer ser músico na adolescência

Marco Bezzi, O Estadao de S.Paulo

19 de fevereiro de 2009 | 00h00

Quais mistérios rondam a cabeça de um sujeito que cantava "eu queria ser uma abelha pra pousar na sua flor" e que, agora, blasfema versos como "eu ressuscitei, não morri, gelei, matei a paixão, não lhe dei a mão; quis lhe estraçalhar..."? Pois, acredite, o Luiz Caldas inventor do axé agora é do heavy metal. E não só do heavy metal, como também da música indígena, do frevo, do samba e da MPB. Com ingresso carimbado para agitar mais uma vez Salvador em cima de um trio elétrico, no carnaval, o cantor de 46 anos quer realizar seu projeto mais ousado depois que a poeira dos blocos baixar. Caldas lançará dez CDs, simultaneamente, cantando os ritmos que o fizeram querer ser músico na adolescência, na época dos bailinhos. "A mídia sempre bancou essa imagem do Luiz Caldas de pés descalços, alegre", fala o músico, por telefone. "Com esse projeto vou mostrar que não sei só fazer axé." Ouça a canção A MaldiçãoSão 132 músicas divididas em nove estilos e duas caixas - dessas, 130 foram compostas e gravadas em menos de um ano pelo cantor. "As outras duas foram presentes dos meus amigos e mestres Walter Franco e André Abujamra", completa Caldas. Nomes como Zeca Baleiro, Sandra de Sá e Seu Jorge são alguns dos convidados salpicados entre os dez trabalhos. Já a inspiração para sobreviver à maratona veio de George Harrison e Djavan. "Harrison lançou um álbum triplo depois de sair dos Beatles. Já o Djavan sempre falou que senta e rala, trabalha todo dia como se fosse em um emprego ?normal?. Comecei a compor tudo em março do ano passado e estou acabando de mixar a segunda caixa agora."Caldas destaca dois CDs da caixa, um destinado aos índios, cantado integralmente na língua tupi, e o mais aguardado, o de rock , em que faixas como Jarbas, No Bar e A Maldição despontam. Esta última ganhou uma voz gutural e riffs de guitarra que deixariam os fãs do Sepultura de cabeleira em pé. "Pensei essa música na praia, enquanto andava. Tinha de falar do diabo pra baixo. Não teria como falar de flor e amor. Ficou muito diferente." Músicos como Lobão e Andreas Kisser enviaram e-mails felicitando o músico pela nova faceta. Para o disco indígena, Caldas usou o bosque em que "malha" todo dia como inspiração. "Você vai ouvir o som de cachoeira, mar, animais, tudo com uma temática indígena."No site www.luizcaldas.com.br é possível escutar as canções e, após o carnaval, comprar as faixas. "Vou fazer um supermercado onde as pessoas poderão comprar em uma espécie de prateleiras de axé, MPB, música erudita..." Mas engana-se quem imagina que a ousadia de Caldas para na produção em série. "Minha meta é mandar estes CDs para o (maestro) Quincy Jones, para o Bono, para o Barack Obama. Acho importante o Obama ouvir o trabalho de uma pessoa que foi a pioneira na black music moderna da Bahia." Haja amor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.