Lúdicos, instrutivos, livros para seduzir até ''''homenzinhos''''

As Ciências Naturais ensina divertindo os pequenos e Contos de Morte Morrida pode atrair os que se acham muto grandes

Beth Néspoli, O Estadao de S.Paulo

12 de janeiro de 2008 | 00h00

Crianças em férias, se fartando de brincar, afastadas das tarefas escolares. Nada como um livro atraente para que elas redescubram o prazer de adquirir novos conhecimentos de forma lúdica. Ou para que simplesmente se divirtam com aventuras e fábulas, familiarizando-se assim com esse ''''objeto'''' que está longe de ser obsoleto, mesmo na era da informática. Felizmente para os pais, sejam de autores brasileiros ou estrangeiros, bons livros infantis não faltam nas livrarias.As Ciências Naturais, do japonês Tatsu Nagata, e Contos de Morte Morrida, do gaúcho Ernani Ssó, lançados pela Companhia das Letrinhas, estão entre as boas opções. O primeiro é mais apropriado para crianças recém-alfabetizadas ou perto disso - palavras e ilustrações, também do autor, têm o mesmo peso na narrativa, uma investigação científica sobre os hábitos de quatro bichos: raposa, toupeira, crocodilo e coruja.Já o segundo é ideal para os mais crescidinhos, sobretudo os garotos que estão na fase de rejeitar tudo o que consideram de ''''criancinha''''. Nesse livro, a morte, com manto preto e ceifadeira nas belas ilustrações da mineira Marilda Castanha, é a protagonista de todas as histórias, a maioria clássicos da literatura oral retrabalhados pelo autor. Não por acaso, ele avisa já na capa tratar-se de uma edição especial, ''''só para valentes''''. Nada como um desafio desses para atiçar a leitura dos ''''homenzinhos''''.O texto de apresentação do autor de As Ciências Naturais revela que ele é um cientista renomado no Japão, especialista em metabolismo de batráquios, membro do Instituto de Ciências de Tóquio. Seu objetivo, com esse livro, é o de despertar nas crianças a mesma paixão pelos animais que nele nasceu ainda na infância. Talvez por sua origem - vive no país dos ideogramas -, trabalha com muita sabedoria a expressividade das imagens, sem tornar menos importantes as palavras.Nagata nos mostra que a toupeira ''''é míope como uma toupeira'''' e se alimenta de minhocas - a imagem correspondente é ótima -; o crocodilo tem sangue frio e precisa se aquecer ao sol (de óculos escuros, claro); a raposa pode transmitir raiva e a coruja, ave preferida das bruxas, gira a cabeça quase totalmente. Até adultos aprendem.Pode ser uma viagem no tempo, para alguns pais, as histórias narradas em Contos de Morte Morrida. Quem teve o privilégio de ouvir da avó, por exemplo, a história do sujeito que enganou a morte ao fazê-la subir numa mangueira encantada, da qual não se consegue descer, certamente vai se deliciar ao reencontrá-la no livro. Mas é bom lembrar que ''''quem conta um conto aumenta um ponto'''' e o autor não se furtou a fazê-lo. E ele tem uma explicação muito boa para isso na apresentação. Vale ressaltar a irreverência no tom fabular com que introduz todos os contos. São dez ao todo, curtos, para menino corajoso nenhum botar defeito.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.