TIAGO QUEIROZ|ESTADÃO
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Luciana Brito inaugura nova sede de galeria em casa moderna

Galerista transfere atividades para uma residência projetada na década de 1950 pelo arquiteto Rino Levi

Camila Molina, O Estado de S. Paulo

03 de abril de 2016 | 03h00

Há 15 anos, quando Luciana Brito abriu sua galeria na Vila Olímpia, em São Paulo, aquele bairro, como conta, prometia ser alternativo –, mas acabou se tornando, afinal, um lugar cheio de prédios de escritórios e de trânsito. A cidade mudou muito, o mercado de arte também, e hoje a galerista afirma que 50% de suas atividades estão concentradas na participação em feiras de arte (este ano são quatro no exterior e uma no Brasil, a SP-Arte, que começa nesta quarta-feira, 6, e os outros 50% são dedicados às exposições. Por esses motivos, pensou que necessitava, na verdade, de um espaço menor e em outra região da cidade. Ao mesmo tempo, um local que pudesse proporcionar uma experiência nova. E se fosse em uma “casa paulistana”?

“Já construí (galerias) duas vezes, tenho 55 anos”, enumera Luciana Brito, que inaugura neste domingo, 3, das 11 h às 19 h, a nova sede de sua galeria em uma residência que tem como grande atrativo ser um patrimônio da arquitetura moderna. A casa, projetada na década de 1950 por Rino Levi (1901-1965) e com paisagismo de Burle Marx (1909-1994), é tombada e fica localizada na Avenida Nove de Julho, no Jardim Europa.

“Com esse espaço, abriu-se um mundo de possibilidades”, afirma Luciana Brito, que convidou artistas de sua galeria para criar obras que dialogassem de maneira sutil com a arquitetura do local, explica. Já em um dos primeiros jardins internos da antiga Residência Castor Delgado Perez, o trabalho de Héctor Zamora é uma delicada intervenção que recebe os visitantes, e, logo ao lado, na sala onde está a lareira, as peças escultóricas de Pablo Lobato parecem quase se fundir com o lugar.

Ao mesmo tempo, a casa inspirou para Caio Reisewitz a realização de um belo conjunto de suas colagens fotográficas e Rochelle Costi secretamente dispôs algumas de suas fotografias nas gavetas de um móvel original, abrigado próximo da cozinha. Entretanto, a exposição Residência Moderna, que marca a inauguração da sede, apresenta outras criações que já existiam, por assim dizer, como pinturas de Waldemar Cordeiro, Tiago Tebet e Rafael Carneiro e imagens fotográficas modernas de Gaspar Gasparian e Thomaz Farkas.

Segundo Luciana Brito, foram seis meses para que o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) liberasse o restauro da casa, realizado durante um ano e meio pelo escritório de arquitetura Piratininga. Além dos espaços originais, a galerista construiu uma espécie de cubo branco nos fundos (com uma parede de 8m x 13m), onde ficava uma edícula não tombada. Depois de Residência Moderna, a sede vai apresentar mostra de Regina Silveira.

RESIDÊNCIA MODERNA

Luciana Brito Galeria. Av. Nove de Julho, 5.162; 3842-0634. 3ª a 6ª, 10h/19h; sáb., 11h/18h. Até 21/5. Abertura neste domingo (3)

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