Lucélia Santos vive a Marivalda Revólver de As Traças da Paixão

Personagem de Alcides Nogueira, é a brasileira que vai à luta sem deixar de sonhar

Beth Néspoli, O Estadao de S.Paulo

15 de agosto de 2009 | 00h00

Como bom dramaturgo, Alcides Nogueira vive em busca de histórias curiosas. Ao bisbilhotar revistas numa banca, deparou-se com a notícia de uma mulher que jurava ser a princesa Anastacia Romanov. "A foto era, sem dúvida, de uma brasileira, talvez do interior de Goiás. Mas ela contava com detalhes como fugiu da Rússia e sobre a queda dos czares. E atrás dela havia um sujeito mais jovem olhando com uma expressão de picareta."Pois essa reportagem foi a fonte de inspiração para ele criar o casal Marivalda e Paco da peça As Traças da Paixão, sucesso em sua primeira montagem, na década de 90, dirigida por Marcio Aurélio. A partir de hoje, sob direção de Marco Antonio Braz, uma nova encenação traz de volta aos palcos paulistanos a atriz Lucélia Santos que vive a protagonista Marivalda Revólver e contracena com Maurício Machado, o Paco."Existem milhões de Marivaldas no Brasil", diz Lucélia Santos. "É aquela mulher que mata um leão por dia, sofrida pra caramba, sem medo de nada, que carrega um revólver de verdade na cintura, mas a bala é de mentira." Na peça, ela é dona de um boteco no qual entra Paco dizendo ser ela a princesa Anastacia e, ele, o filho dela, ambos herdeiros dos czares. "Eles vivem um relacionamento dilacerante e por isso o espetáculo pode tocar a todas as pessoas que já estiveram apaixonadas na vida", afirma a atriz. "A poética do texto está no fato de, apesar de sofridos, eles se permitirem sonhar", diz Mauricio Machado. Mas se tudo começa por alguém tentando ludibriar os outros com uma falsa identidade, sobre esse mote Nogueira construiu sua dramaturgia, cheia de fundos falsos e citações ao teatro. "A vida de Paco e Marivalda remete à dos atores, cujo jogo cênico tem de ser sustentado em cena, porque disso depende a sobrevivência da trupe", observa Marco Antonio Braz. "Tenho certeza de que na saída da sessão as discussões vão começar a partir de perguntas como: naquela cena era sonho ou realidade?", diz Lucélia. O gênero do espetáculo? "Tem final feliz, então é comédia", brinca Braz.

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