Reprodução
Reprodução

Louvre Abu Dhabi é a nova joia do Oriente

Museu vai abrir nas imediações da capital dos Emirados Árabes e está sendo considerado o maior projeto artístico global desde a abertura do Metropolitan

Jotabê Medeiros, Enviado Especial - O Estado de S. Paulo

21 de outubro de 2014 | 11h49

TÓQUIO - Daqui a um ano, alguns dos maiores tesouros culturais da humanidade estarão rumando para o deserto. Num lugar onde a temperatura média é de 38 graus, nas imediações de Abu Dabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos, está sendo erguido por 7 mil trabalhadores e 250 arquitetos o novo projeto do francês Jean Nouvel, o Louvre Abu Dabi.

É um domo no qual está sendo empregado mais metal do que na Torre Eiffel, numa nova meca cultural que terá 47 novos edifícios, entre eles uma filial do Guggenheim e da New York University.

No dia 2 de dezembro de 2015, rumam para essa nova terra prometida dos etrodólares obras de Monet, Leonardo da Vinci, Van Gogh, Rothko, Matisse, entre outros. O Louvre Abu Dabi vai receber obras de 13 instituições culturais da França, cedidas em comodato por até 30 anos.

São obras fundamentais, como as telas Mulher Desconhecida e La Belle Ferronière, de Da Vinci; Estação de Saint Lazare, de Monet; Napoleão Cruzando os Alpes, de Jacques-Louis David; Big Electric Chair, de Andy Warhol. O valor do comodato é das arábias: 1,3 bilhão de euros. Irão obras dos acervos do Museu D'Orsay, do Louvre e do Palácio de Versalhes, entre outros.

Abu Dabi pagou 323 milhões de libras em 2007 para usar o nome do Louvre.

Houve temor de que algumas obras, por nudez ou outro detalhe, fossem vetadas por conta do conservadorismo islâmico, mas os curadores juram que isso não ocorreu.

Abu Dabi também andou fazendo aquisições para sua nova metrópole cultural - muitos consideram que é o maior projeto artístico global desde a abertura do Metropolitan, em 1870. Os árabes compraram peças como a tela Breton Boys Wrestling, de Paul Gauguin; obras de Cy Twonbly; daguerreótipos raros de 170 anos do fotógrafo francês Joseph-Philibert Girault de Prangey. E anunciaram que vão exibir uma estatueta de bronze do século 10 representando Lorde Shiva, divindade hindu em pose de dança, que estava na National Gallery de Canberra, Austrália. Também adquiriram uma estátua de 4 mil anos de Gudea, da Mesopotâmia; um figurino de Ramsés II, do Egito; e uma peça nigeriana do século 16.

Dos 64 mil m² do novo Louvre, 6 mil estão reservados para as coleções e 2 mil para as exposições temporárias.

O comodato do Louvre vem causando polêmica na França. Os museus querem de volta, em 3 meses, os trabalhos em papel, livros e manuscritos. O ministro francês da Cultura, Fleur Pellerin, disse que o acordo representa uma dupla concessão: além do empréstimo da "riqueza de nossas coleções nacionais, o expertise de nossos museus".

Tudo o que sabemos sobre:
Louvre Abu Dabi

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.