Livros retratam a influência do poder

Biografia das famílias de Osama Bin Laden e Adolph Bloch, além da cobertura do repórter Larry Rohter, revelam bastidores

Antonio Gonçalves Filho e Ubiratan Brasil, O Estadao de S.Paulo

22 de dezembro de 2008 | 00h00

Livros de reportagem deixaram de ser leitura de poucos para ganhar as listas dos mais vendidos e dos favoritos de 2008, como o retrato de uma família muito famosa no mundo - mais por seu integrante terrorista que por seus milionários irmãos. Os Bin Laden, do norte-americano Steve Coll (Globo, tradução de Roberto Muggiati, 680 páginas, R$ 45) precedeu o lançamento de Os Irmãos Karamabloch (Companhia das Letras, 344 páginas, R$ 48) sobre a família Bloch, que chegou a ser uma das mais poderosas no Brasil . Se o primeiro tenta entender os motivos que levaram um jovem árabe multimilionário a se tornar o terrorista mais perseguido em todo o mundo, o brasileiro faz um balanço de uma família que faliu após conviver com presidentes e poderosos do País, feito por Arnaldo Bloch, sobrinho-neto do magnata da imprensa Adolpho Bloch, fundador da revista Manchete.O título do livro de Bloch lembra um trocadilho criado por Otto Lara Resende - ele gostava de trabalhar na Manchete, mas não suportava presenciar as brigas constantes de Adolpho Bloch com os irmãos. Passou, então, a chamá-los de "Irmãos Karamabloch", referindo-se à principal obra de Dostoievski.O livro acompanha a família Bloch desde sua permanência na Ucrânia, há 200 anos, até a forçosa imigração para o Rio, em 1922, conseqüência do pesado período entreguerras. No Brasil, enveredam para o ramo gráfico, que logo culminaria com a criação de um império jornalístico e editorial.Bloch teve, nos anos 1950, o poder que Roberto Marinho teria dos anos 1960 em diante. E foi durante os anos 1970 que um americano, o jornalista Larry Rother, começou a trabalhar para ele na Globo, primeiro como assistente de produção e depois como comentarista político do Fantástico. Rother ficou célebre por ter sido ameaçado de expulsão pela presidência da República, após insinuar que Lula bebia além da conta numa reportagem publicada no New York Times em maio de 2004. Ele conta o episódio no livro Deu no New York Times (Objetiva, tradução de Otacílio Nunes e outros, 416 páginas, R$ 39,90), uma seleção de seus artigos mais polêmicos sobre o Brasil - inclusive o mencionado, em que diz que o gosto do dirigente pela birita tornou-se uma "preocupação nacional".Nesse balanço de vícios e virtudes, um presidente que se sai bem é o americano Abraham Lincoln. A biografia escrita por Fred Kaplan, Lincoln: The Biography of a Writer ( HarperCollins, US$ 27,95) foi elogiada pela crítica do New York Times, Michiko Kakutani, como um estudo sério sobre o renascimento dos Estados Unidos depois da Guerra Civil. Kaplan, que fez um trabalho de reportagem para escrever a biografia, entrevistando historiadores e analistas políticos, mostra como a leitura da Bíblia e de Shakespeare ajudou a formar não só um presidente intelectual como levou-o a articular um programa político para a América.

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