Livros fazem sucesso ao repetir a mesma fórmula anárquica

Com mais de 600 mil exemplares vendidos, obra apresenta estilo de humor específico que, na televisão, seria verborrágico

O Estadao de S.Paulo

12 de janeiro de 2008 | 00h00

Se os criadores do Planeta Diário precisaram correr nas praias para vender os primeiros números do jornal, hoje eles correm dos fãs, especialmente nas tardes de autógrafo das bienais de livros, eventos onde lançam novos produtos. ''''Mesmo trabalhando na televisão, mantemos nossas coleções de livros, pois ali podemos desenvolver um humor que, na telinha, seria muito verborrágico'''', comenta Hubert.E os leitores adoram, como comprovam os números - segundo a editora Objetiva, que hoje lança os títulos do Casseta e Planeta, os 13 livros já editados venderam mais de 600 mil exemplares, com títulos peculiares como O Avantajado Livro de Pensamentos do Casseta e Planeta ou Seu Creysson, Vídia i Óbria. O mais recente (e 14º da fila), O Legítimo Livro Pirata de Casseta e Planeta, foi lançado em novembro, já iniciando a mesma trajetória. Aqui, eles aproveitaram a enorme repercussão alcançada pelas venda de cópias piratas do filme Tropa de Elite. ''''Afinal, somos como o crime organizado, ou seja, atuamos na legalidade'''', brinca Reinaldo.O livro, portanto, é resultado de uma brincadeira. ''''Nosso estúdio foi assaltado durante a noite e os ladrões levaram os rascunhos do livro, que foi editado de forma tacanha'''', conta Hubert, justificando, assim, os diferentes tipos de letra no corpo do texto e os dizeres escritos com garranchos, na contracapa. Ali, por exemplo, estão frases pinçadas com a intenção de vender o produto, como ''''Este livro foi mais pirateado que meu filme'''', atribuída ao Capitão Nascimento, e ''''É um ótimo produto pirata. Vende mais que banana. E não apodrece'''', dita por um camelô da Avenida Paulista.A criação de tipos permanentes sempre foi um trunfo dos humoristas. O Planeta Diário, por exemplo, conquistava os fãs com seus colaboradores fixos, como o colunista social Ibrahim (Abi Ackel), Buda (guia espiritual), Mongol (chargista político e débil mental), Dr. Kildare (que na infância apanhou do pai para estudar medicina), Locha (a quem Darcy Ribeiro revelou não ser mesmo Deus). E ainda Eleonora V. Vorsky, ''''mistura de Barbara Cartland e Agatha Christie, só que com o dobro de varizes'''', autora de A Vingança do Bastardo, folhetim cujos capítulos foram publicados a cada edição a partir do número 2.A novela fez tanto sucesso que logo saiu em livro (setembro de 1987) e cuja reedição foi recentemente lançada pela Desiderata. Trata-se de uma impiedosa paródia dos clichês da pulp fiction, unindo ''''ação, espionagem, romance, sexo, ficção científica, catástrofe, histeria, pânico, correria, pisoteamento, massacre''''. Publicado até 1987, o folhetim se tornou uma das maiores atrações do jornal, transformando Vorsky (pseudônimo criado pelo escritor e roteirista Alexandre Machado) e sua personagem Prima Roshana em objetos de devoção.A Vingança do Bastardo foi imediatamente seguido no Planeta Diário por outra série assinada por Eleonora V. Vorsky, Calor na Bacurinha, as memórias de Prima Roshana narradas em primeira pessoa, ainda sem previsão de relançamento.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.