Arquivo Estadão
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Livro reúne a correspondência entre Picasso e Salvador Dali

'Picasso e Eu', tem 70 cartas de Dalí para o mestre cubista

EFE, O Estado de S. Paulo

22 Março 2015 | 03h00

BARCELONA - O livro Picasso e Eu (Elba Ediorial) reúne pela primeira vez a correspondência entre Salvador Dalí e Pablo Picasso, reconstruindo os encontros e desencontros entre os dois artistas e a fascinação que Dalí sempre teve pela obra de Picasso.

Editado por Víctor Fernández, que trabalhou durante um ano no projeto, o livro amplia o conteúdo de um outro similar publicado na França, e inclui, por exemplo, “uma carta inédita de Dalí a Picasso (um esboço de telegrama) ou o único documento de Picasso dirigido a Dalí”, revelou o editor durante a apresentação da obra.

O editor considera seu trabalho meramente “jornalístico”, pois foi às fontes e recompilou o que existe de documentação em arquivos como a Fundação Dalí, e dos herdeiros de Miró ou do MoMA, que forneceu uma carta de Dalí ao marchand de Picasso.


As cartas, disse ele, estão nos arquivos Picasso de Paris, salvo uma inédita que Descharnes publicou na Vogue em 1979, mas que está desaparecida.

Picasso e Eu traz um cartão-postal assinado pelo artista e 70 cartas de Salvador Dalí, documentação que tem por objetivo complementar a mostra inaugurada na sexta-feira, 20, no Museu Picasso, sobre as afinidades artísticas dos dois pintores. 

Víctor Fernández disse que, com o livro, sua ideia foi “pôr fim à história de que as diferenças entre ambos os artistas foi apenas por motivos ideológicos e políticos, desde a Guerra Civil Espanhola”.

“Creio que a relação foi mais profunda do que se pensa e de fato, entre 1926 e 1938, Picasso protegeu, deu dinheiro e financiou a primeira viagem de Dalí e Gala a Nova York, apresentou-o a Paul Rosenberg, a Gertrude Stein, assistiu à estreia dos dois filmes assinados por Buñuel e Dalí (Um Cão Andaluz e A Idade do Ouro) e se informava sobre suas exposições.

No longo exame das cartas, Fernández rastreou pelo menos três tentativas de reconciliação entre os pintores.

Na introdução do livro, Fernández colocou uma foto de Jacqueline Picasso lançando pela janela a coroa de flores enviada por Dalí. “Uma única vez, nesse 8 de abril de 1973, Salvador Dalí quis que sua saudação fosse algo privado, longe dos cenários que sempre estavam cercados por uma aura de publicidade. Nesse momento, ele recebeu a notícia da morte de Pablo Picasso, seu pai artístico, o homem que ele quis imitar e superar, o mestre com quem se defrontou no campo da pintura, embora Picasso não tenha mais se aproximado de Dalí.

Na opinião do editor, nas cartas surgem “pistas que permitem, hoje, entrarmos mais a fundo num terreno fértil em polêmicas, sobretudo desde 1948, quando Dalí se instalou definitivamente na Espanha de Franco e Picasso já se convertera, em contraposição, no principal estandarte do exílio e da oposição ao regime”.

O livro traz também a primeira “declaração de afeto” de Dalí a Picasso: trata-se de um manuscrito, provavelmente redigido em 1922, conservado na Fundació Gala-Salvador Dalí de Figueres, que conclui com uma declaração de princípios: “Me Gusta Picasso”.

A inexistência, na prática, de cartas de Picasso a Dalí poderia se explicar, segundo o autor, “pela pouca disposição de Picasso de manter uma relação epistolar, salvo raras exceções, ou essa correspondência pode ter se perdido”.

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