Livro homenageia arte de João Carlos Martins

Autor reúne depoimentos e fotos históricas do pianista

João Luiz Sampaio, O Estadao de S.Paulo

21 de janeiro de 2009 | 00h00

"João Carlos Martins tem 18 anos, portanto, teve pouco tempo para ganhar fama, mas ele tocou o suficiente para firmar-se como um extraordinário virtuoso e um músico convincente. A apresentação de piano que assistimos ontem à noite foi algo novo e envolvente e deve ter marcado o surgimento de um grande talento." A crítica, assinada por Day Thorpe, encontra-se na página B-18 da edição de 29 de maio de 1959 do Evening Star, de Washington. E resume bem a euforia provocada nas plateias norte-americanas nos anos 50, quando o pianista fez sua estreia por lá. Martins tem uma das carreiras mais interessantes e acidentadas da música brasileira, com uma ascensão tão meteórica quanto a queda motivada por problemas físicos, trajetória recontada no livro João Carlos Martins, de Stefan Gen (Parágrafo, 164 págs., R$ 99).A vida e a carreira de Martins já haviam sido tema de uma biografia, A Saga das Mãos (Campus), escrita pelo pianista e maestro em parceria com Luciano Ubirajara Nassar. No livro, encontramos a história dos acidentes que, aos poucos, foram tirando os movimentos de suas mãos; o modo como se sentiu forçado a abandonar a música e a decisão, anos mais tarde, de voltar a ela, agora como regente. Nesta nova obra, no entanto, Gen segue um caminho diferente e, de certa forma, complementar, ao articular imagens da carreira do artista, críticas e depoimentos de colegas e personalidades. "João Carlos teve muitos motivos para chorar, ainda assim seu espírito nunca foi refreado. Na última vez que nos sentamos para tocar juntos, cada um ao seu piano, meu coração ficou partido, pois sabia como me sentiria se tivesse sido tão terrivelmente ferido por um ataque sem sentido e criminoso. Ter conseguido colocar sua imensa criatividade musical na regência de orquestras é uma bênção para ele e para aqueles que têm a felicidade de assistir às suas apresentações", escreve, por exemplo, o pianista de jazz Dave Brubeck.Outros depoimentos incluem o irmão e também pianista José Eduardo Martins, o empresário norte-americano Jay Hoffman, o colega Artur Moreira Lima, o artista plástico Milton Glaser, jornalista e escritor Jô Soares.

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