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Livro francês recupera trajetória artística de Frida Kahlo

Os artistas Benjamin Lacombe e Sébastian Perez criaram uma obra colorida e poética

Carmen Naranjo / EFE , O Estado de S. Paulo

26 Dezembro 2016 | 05h00

O fascínio que, como artista e mulher, Frida Kahlo despertou no ilustrador Benjamin Lacombe e no escritor Sébastian Perez levou ambos a criar um de seus livros mais coloridos e poéticos, Frida, uma viagem às entranhas de um ícone da cultura que soube transformar sua dor em arte. O livro ainda não tem previsão para sair no Brasil.

Assim disseram os dois autores franceses no lançamento dessa edição em espanhol do livro, que tem trechos extraídos de diários pessoais de Frida intercalados com poemas de Perez, enquanto as ilustrações feitas por Lacombe entram na alma da artista numa sucessão de páginas com recortes e colagens.

No livro, de formato grande, 20 das 72 páginas são ilustrações, feitas numa técnica que, Lacombe explica, utilizou como recurso narrativo para percorrer o mais íntimo desse ícone da cultura latino-americana do século 20.

Lacombe e Perez decidiram selecionar nove temas que constituíram a espinha dorsal da vida e obra de Frida Kahlo (1907-1954), uma mulher que não foi somente uma pintora, mas uma intelectual avançada no tempo, apaixonada e grande conhecedora da dor, que teve poliomielite e a pélvis atravessada por uma barra de aço num acidente de trânsito em 1925.

Casada com o pintor muralista Diego Rivera em 1929, eles se divorciaram dez anos depois e mais tarde voltaram a se casar. Lacombe lembra como Frida Kahlo era apresentada como a mulher de Rivera quando, diz ele, agora seria Diego que deveria ser conhecido como o marido da artista que se tornou mundialmente famosa.

O acidente, a medicina, a terra, a fauna, o amor, a morte, a maternidade, a coluna quebrada e a posteridade são os temas escolhidos pelos autores; são nove porque esse é um número simbólico para os astecas.

Através do livro pode-se ver como o mundo de Frida Kahlo “emerge literalmente da dor que atinge seu corpo”, já que a artista “nasce do acidente” e começa a pintar – primeiro para matar o tempo e depois para expressar seu sofrimento. Através das matrizes, se observa uma primeira ilustração que é uma pintura colorida de Frida Kahlo; uma segunda, com a reinterpretação de seus quadros; e uma terceira em que Lacombe projeta as referências culturais da pintora, de mexicanas a budistas. Lacombe acha que Frida Kahlo era já uma artista antes do acidente – segundo ele, apenas um detonador que despertou nela uma “necessidade imperiosa e irrefreável” de pintar.

O ilustrador francês, que utilizou também “uma forma de narrativa cromática”, afirmou ter sido difícil adaptar sua paleta à de Frida, muito mais colorida que a dele, embora sustente que ambos tenham muita proximidade dos temas que abordam.

Perez procura aproximar o leitor do pensamento mais íntimo da artista mexicana, usando reflexões de Frida em primeira pessoa sobre temas como a impossibilidade de ser mãe: “O rebento que crescia em meu interior murchou. Deixou sem vida esta casca disforme”.

Embora em suas colaborações com Perez tenha criado livros com personagens diversos, o ilustrador Lacombe admite sua predileção artística pelo universo feminino. “Podemos explorar a mulher em camadas em contraposição com o mundo masculino, mais monolítico”, contou.

Seu próximo trabalho será Carmen, obra sobre esse mito de múltiplas faces imortalizado na famosa ópera de Bizet. Será “muito gótica”, diz Lacombe. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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