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Livro e exposição apresentam um novo olhar para a prática fotográfica

Trata-se de um olhar para as "periferias", para o "descarte das imagens", diz Rubens Fernandes Junior, que resolveu compartilhar sua pesquisa e suas reflexões sobre o peculiar acervo no livro Papéis Efêmeros da Fotografia

Camila Molina , O Estado de S. Paulo

07 de junho de 2015 | 12h00

Entre sebos, feiras e até por intermédio de catadores que reviram lixos para garimpar raridades históricas a serem colocadas à venda, o pesquisador e professor Rubens Fernandes Junior conseguiu reunir durante 32 anos uma coleção singular para o estudo da fotografia no Brasil. Nos “cinco álbuns cheios” que ele guarda em sua casa, é possível que haja, contabiliza, cerca de mil impressos – como cartões-postais, exemplares de revistas, embalagens de filmes, anúncios e logos de casas e laboratórios fotográficos –, que contam uma história até então inédita sobre a prática fotográfica em São Paulo, no Rio e no Recife entre os anos 1920 e 1960.

Trata-se de um olhar para as “periferias”, para o “descarte das imagens”, diz Rubens Fernandes Junior, que resolveu compartilhar sua pesquisa e suas reflexões sobre o peculiar acervo no livro Papéis Efêmeros da Fotografia (Editora Tempo d’Imagem), lançado recentemente como um dos projetos contemplados pelo 15.º Prêmio Marc Ferrez. Além da publicação, uma exposição com exemplares da coleção do pesquisador pode ser vista até 25 de julho na Casa da Imagem. “Para mim, esse material se torna uma espécie de relíquia que fornece minúsculas evidências de ritos socioculturais que incendeiam a imaginação”, escreve o pesquisador.

De início, salta aos olhos a sofisticação das criações que, no campo do design gráfico, fazem referência à art déco, art nouveu, à Bauhaus e até à arte pop. Apesar de a maioria das peças ter autoria desconhecida, tanto Rubens Fernandes quanto o designer e professor Chico Homem de Melo, autor do prefácio do livro, destacam a parceria entre a Fotóptica e o austríaco Bernard Rudofsky (1905-1988) na década de 1930. “É de sua autoria o símbolo da Fotóptica, que pode ser considerado um sinal pioneiro do design gráfico modernista no País”, afirma Homem de Melo.

Além de colocar em evidência o apuro estético de criações que tinham fim prático e comercial, a obra, resgate de uma “memória do cotidiano”, também apresenta curiosidades sobre as figuras do fotógrafo amador, do balconista, do laboratorista e dos donos de estabelecimentos do Rio e do Nordeste e, mais especialmente, de São Paulo – como a pioneira Casa Stolze, a própria Fotóptica, Kosmos Foto e Photo Dominadora. Cada um deles teve um papel importante para a engrenagem dos negócios e do gênero fotográfico no Brasil.

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