Lilia Schwarcz reflete sobre infância no Masp

Lilia Schwarcz reflete sobre infância no Masp

Historiadora e antropóloga, nova curadora-adjunta do museu, vai organizar exposição sobre o tema em 2016

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2015 | 05h00

Primeira exposição da antropóloga e historiadora Lilia Moritz Schwarcz como curadora-adjunta do Museu de Arte de São Paulo (Masp), Histórias da Infância será aberta em 2016 para apresentar diferentes visões da primeira idade no Brasil, segundo a autora do livro Brasil: Uma Biografia (Companhia das Letras). Precedendo a mostra, um seminário com especialistas no tema será realizado no dia 6 de outubro, seguindo o modelo de projetos anteriormente desenvolvidos por Lilia Schwarcz, entre eles o da exposição Histórias Mestiças, montada no ano passado pelo Instituto Tomie Ohtake, que teve sua origem em discussões sobre o tema e resultou num livro.

No Masp, ela será responsável por pesquisas que vão relacionar o acervo da instituição com narrativas sobre memória e identidade. O diretor artístico do museu, Adriano Pedrosa, com quem Lilia trabalhou em Histórias Mestiças, vem desenvolvendo projetos sobre esses temas desde 1990. Ele pretende continuar a organizar mostras que tratem de histórias não suficientemente exploradas, como as ameríndias e a escravidão. Ou “Escravidões”, assim, no plural, tema da segunda mostra programada pela nova curadora-adjunta para o próximo ano.

A primeira mostra de 2016 organizada pela antropóloga, Histórias da Infância, vai tratar de um tema exaustivamente estudado pelo francês Phillipe Ariès em seu livro História Social da Infância, fala desse período da vida como construção social. Ariès, entre outros temas espinhosos, conta como as crianças, na Idade Média, eram tratadas como adultos, sendo envolvidas, inclusive, em brincadeiras sexuais sem nenhum pudor, o que hoje choca os contemporâneos.

“A ideia é buscar no acervo do Masp, seja em telas acadêmicas ou em fotografias, elementos para discussões como essa, dialogando com as coleções de outros museus e instituições”, diz a curadora. Os títulos das exposições, sempre no plural, se justificam pelas várias formas de infância e escravidão. “O mundo todo fala da Revolução Francesa, mas não da revolução haitiana, como bem lembrou Troulliot”, cita Lilia, referindo-se à rebelião liderada pelo general negro Toussaint L’Overture, que incitou os escravos a dizimar o colonizador branco (o Haiti foi o primeiro país latino-americano a se tornar independente da França).

Outros temas de futuras exposições no Masp envolvem a arte ameríndia e as relações entre arte popular e erudita. Essa fronteira, cada vez mais ignorada pela contemporaneidade, vai ser igualmente analisada em um seminário, antes de virar mostra. “A cultura é dinâmica e cabe aos museus justamente discutir questões como essa”.


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