Liam: ''Toda noite é boa para o rock''

Cantor diz que Oasis é seu único hobby e não quer saber de lançar disco-solo

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

09 de maio de 2009 | 00h00

Pode chover canivete que Liam Gallagher não vai se importar. No último show em São Paulo, ele diz que lembra perfeitamente, chovia a cântaros, a água chegava aos joelhos no estacionamento do Credicard Hall, e lá estava ele se esgoelando no palco à frente de 15 mil pessoas. "Sempre é uma boa noite para um show de rock", disse o cantor, falando ao Estado por telefone a poucas horas do primeiro show da turnê Dig Out Your Soul no Rio de Janeiro, anteontem. Veja especial sobre Oasis O concerto do Oasis, hoje no Anhembi, às 22 h, abre com Rock?n?Roll Star, música do primeiro disco da banda, Definitely Maybe, de 1994, época em que ainda fazia sentido o rótulo britpop. Era uma fase em que eles pareciam cães furiosos latindo para todo mundo que passasse na rua, e sua música era um manifesto nervoso dessa disposição. Liam acha que as coisas mudaram um pouco, mas a marra é a mesma."Eu me sinto mais confortável hoje no palco. O legado que temos na música me permite isso. Mas eu não estou ali fingindo, essa é a minha disposição", afirmou.Bom, mais coisas mudaram no Oasis. Liam está quase quarentão, e este ano fez furor na Inglaterra a notícia de que ele estava lançando uma grife de roupas, a Pretty Green (o nome é uma homenagem a uma música da banda The Jam). "É verdade, estou desenhando roupas. Coisas que eu mesmo gosto de usar. Estarei usando uma delas no palco, você poderá ver com seus próprios olhos", disse.Bom, o Multishow transmitiu ao vivo o show de anteontem no Rio de Janeiro, e alguns dos modelitos de Liam davam a impressão de que ele era um pacote de café embalado a vácuo. Não vai ganhar muito dinheiro com isso, mas o Oasis não precisa mesmo: segundo levantamento do Sunday Times divulgado no final de abril, os irmãos Gallagher, do Oasis, estão entre os raríssimos milionários da música britânica que conseguiram aumentar sua fortuna em 2008, apesar da crise (tinham R$ 148 milhões, e agora têm R$ 171 milhões). Quando aos boatos de que esta seria a última turnê do Oasis, Liam não confirma nem desmente. "Não sei o que vai acontecer, cara. Estamos discutindo isso. Mas uma coisa só acaba quando termina. Eu não penso em lançar um disco-solo. Estou no Oasis. Esse é o meu hobby. Não gosto de fazer nada que não seja o Oasis."Os rumores começaram porque Noel Gallagher, guitarrista e compositor do grupo, e irmão de Liam, revelou que pretende dar um tempo depois desta turnê e provavelmente vai lançar um disco-solo no ano que vem.Ele também comentou a incorporação do tecladista Jay Darlington (ex-Kula Shaker) à banda. "O tecladista não mudou o nosso som. É só que é necessário um tecladista em algumas canções, para dar um clima. As canções é que pedem isso. Mas eu gosto bastante do resultado." No show, Darlington chama a atenção porque parece uma reencarnação de John Lennon em 1969, barbudo, atrás de um púlpito de madeira entalhada.Liam também elogiou o baterista Chris Sharock (da última vez que vieram ao Brasil, tinham na bateria o filho de Ringo Starr, Zak Starkey). Disse que tem uma pegada poderosa e que é um grande companheiro, e que encorpou o som da banda.O fato é que os Irmãos Gallagher estão mais cavalheirescos, mais pacientes e ponderados. Noel Gallagher foi até um emotivo e demonstrou "modéstia inesperada", segundo o jornal Clarín, de Buenos Aires, ao recordar em voz alta sua primeira visita àquela cidade, em 1991, quando veio como roadie (ajudante de palco) do grupo Inspiral Carpets.Mas a modéstia só vai até um certo ponto. Afinal, eles são os Irmãos Gallagher. Sobre as críticas positivas ao novo disco, Dig Out Your Soul, por exemplo, Liam dispara: "Esse disco não é melhor que os anteriores. É tão bom quanto. É um disco do Oasis, portanto é um bom disco. Não me importo se os críticos gostaram ou não."Em 15 anos de carreira, o Oasis já veio ao Brasil três vezes. Em geral, eram passagens que vinham turbinadas por declarações polêmicas de Liam. "Espero que os integrantes do Blur peguem aids e morram", disse uma vez. "Eles parecem o Right Said Fred", afirmou, sobre os escoceses do Franz Ferdinand. Liam diz que tem especial admiração pelos fãs do Brasil, que demonstram seguir com adoração o cotidiano da banda, e que virá aqui sempre que puder. Mas ele não gosta de bajular ninguém no palco. "Não temos nada especial planejado para o show no Brasil. Apenas vamos fazer o melhor que a gente pode fazer." ServiçoOasis. Arena Anhembi (35.000 lug.). Avenida Olavo Fontoura, 1.209, 2846-6000. Hoje, às 22 h. R$ 180/R$ 400

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