Leve lenço, Will Smith vai arrancar muitas lágrimas de você

Sete Vidas consagra o ator como o maior astro negro de Hollywood nessa história de busca por uma segunda chance

, O Estadao de S.Paulo

24 de dezembro de 2008 | 00h00

Will Smith é hoje o maior astro negro de Hollywood. E ele está de volta com Sete Vidas. Distribuidores e exibidores já começam a comemorar, por antecipação. Mas por que a classificação restritiva? Hollywood, em décadas mais recentes, sempre teve grandes astros afro-americanos, até como resultado das lutas por direitos civis dos anos 60, que pavimentaram o caminho de Barack Obama para a presidência dos EUA.   Veja o trailer de Sete Vidas Sidney Poitier foi um pioneiro e depois vieram Richard Pryor, Eddie Murphy, Denzel Washinton, Jamie Foxx, etc. Will Smith foi além. Ele é o maior astro - ponto. Tom Cruise, Bruce Willis, Brad Pitt, Johnny Depp, todos vêm depois na banca de valores do cinemão. E Smith é um fenômeno.Ele é bom como comediante, como herói de ação e como ator dramático. Uma das injustiças da Academia de Hollywood foi não ter premiado Will Smith, quando concorreu ao Oscar de ator por Ali, a poderosa cinebiografia de Cassius Clay, aliás, Muhammad Ali, por Michael Mann. Depois, disso, Smith candidatou-se novamente ao Oscar por À Procura da Felicidade, de Gabriele Muccino. Sete Vidas renova a parceria e, até certo ponto, a fórmula. Prepare o lenço - quando o objetivo é fazer chorar, Will Smith também não brinca em serviço.Procure não ler nada, nem este texto, antes de ver Sete Vidas. Será intrigante entrar no universo do filme como ele se oferece para o espectador. Smith exibe sua credencial de agente da Receita Federal dos EUA para se aproximar de pessoas carentes e necessitadas, formando as vidas enumeradas no título. Rosario Dawson necessita de um coração novo, Woody Harrelson precisa de um transplante de pupilas, e o cego, entre todos os personagens, parece aquele que Smith - seu nome é Bem - trata de forma mais injusta e até agressiva. Isso obedece a um propósito, claro.À Procura da Felicidade mostrava um pai que vivia na rua, mas não se separava do filho adorado. O letreiro de encerramento informava que o homem cuja história Will Smith e o diretor Muccino contavam se havia transformado num dos maiores milionários dos EUA. A recompensa, em Sete Vidas, não é material. Tem a ver com um tema clássico de Hollywood - a busca por uma segunda chance. Os críticos vão torcer o nariz. Não ligue e prepare o lenço - se entrar no cinema, você dificilmente deixará de verter sua lágrima. Will Smith é competente demais para que você não acredite (ou se envolva). Quanto ao diretor Muccino - por seus truísmos, será que sua ambição é ser um novo Frank Capra? Neste sentido, Will Smith refaz um daqueles anjos, típicos de Capra, que vêm salvar James Stewart nos clássicos do grande entertainer ítalo-americano.ServiçoSete Vidas (Seven Pounds, EUA/2008, 118 min. Drama.) - Dir. Gabriele Muccino. 14 anos. Cotação: Bom

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