Letícia Sabatella como ninguém ainda tinha visto

Com muitos papéis de ingênua, ela agora vive mulher ousada e gosta da mudança

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

14 de novembro de 2008 | 00h00

Você nunca viu Letícia Sabatella como aparece em Romance. Ela virou um mulherão e cria uma personagem intensa. A própria Letícia percebeu que ?Ana?, sua personagem, representava um novo desafio e poderia marcar um novo ponto de partida. "Estava fazendo a freirinha da novela de Manoel Carlos quando o Guel (o diretor Guel Arraes) me sondou. Foi uma mudança e tanto, mas também foi estimulante." Ela confessa que precisou usar todas as suas ferramentas de atriz para criar essa mulher com quem compartilha uma característica - Ana, como Letícia, trafega nas três mídias, teatro, cinema e televisão.Ao escolhê-la, Guel deliberadamente sabia que teria de transformar uma atriz jovem, com um extenso currículo de ingênua - até freirinha! -, numa mulher apaixonada. "Ensaiamos, muito, Wagner (Moura) e eu, as cenas de teatro. Guel alugou o espaço no qual realizou depois a filmagem. A gente vivia lá dentro. No final, tudo se misturava, o cenário e o espaço real." O texto, que Guel escreveu com Jorge Furtado, era sagrado. "O método dele é controlado, não deixa muito espaço para improvisação." E ainda havia a questão do físico. "Tínhamos cenas íntimas e a Ana, como atriz e mulher, precisava ter consciência do próprio corpo."Para ?liberar? sua atriz, Guel distribuiu pelo texto quatro ou cinco palavrões que Letícia deveria dizer - palavras rudes que o público nunca a vira pronunciar, mas que ajudaram no processo de transformação da garota em mulher. ?Garota? é modo de dizer, pois Letícia, afinal, é mãe de família. Ela anda com saudades do teatro, mas admite estar vivendo um momento pleno da vida e da carreira. Letícia conversa com o repórter do Estado pelo telefone (celular). Ela está no Aterro, no Rio, gravando cenas da próxima novela das 8, Caminho das Índias. O texto é de Glória Perez e Letícia faz, senão propriamente uma vilã, pelo menos uma mulher que tem prazer em manipular e humilhar as pessoas.É outro desafio que ela está tendo prazer em experimentar. "O texto da Glória não cria uma vilã padrão, mas uma personagem de emoções fortes, capaz de ir ao limite, sem medir conseqüências, para atingir o que pretende." O repórter pergunta se Letícia acompanha a atual novela das 8, A Favorita, de João Emanuel Carneiro, em que Patricia Pillar faz uma vilã que tem sido rotulada como ?revolucionária? na TV brasileira. "Patrícia faz um trabalho muito interessante. Desde o começo, já havia alguma coisa ambivalente na Flora. É uma interpretação que começou sutil e hoje é forte, sem ser estereotipada, a típica vilã." Surpreender o público é algo que tende a estimular o ator, ela avalia. "Ficar se repetindo não é legal. Sou pela mudança e, quanto mais ousada, melhor."

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