Remo Casilli/Reuters
Remo Casilli/Reuters

Leilão de vila com obra de Caravaggio gera protestos na Itália

Representação de Júpiter, Plutão e Netuno é o único mural de teto feito pelo artista e data de 1597

Gildas Le Roux, AFP

16 de janeiro de 2022 | 14h13

O leilão na próxima terça-feira, 18, de um excepcional mural de Caravaggio, que se encontra na residência romana dos príncipes Ludovisi Boncompagni, provocou fortes protestos do mundo da cultura italiana, que exigem a intervenção do Estado. 

A obra de Caravaggio (Michelangelo Merisi, 1571-1610), considerado o mestre do claro-escuro, data de 1597 e representa Júpiter, Plutão e Netuno, em meio a um globo terrestre cercado pelos signos do Zodíaco.

A pintura está no monumental Casino da Aurora, mais conhecido como Villa Ludovisi, um imponente palácio de 2.800 metros quadrados, distribuídos em seis andares com um suntuoso jardim.  O monumento fica no coração de Roma, a poucos passos da famosa Via Veneto e da Villa Borghese, um dos setores mais nobres da capital. 

A residência campestre de uma das famílias aristocráticas mais ricas e poderosas da Itália também preserva afrescos de Guercino (1591-1666), um reconhecido pintor barroco da Bolonha, assim como antigas estátuas. 

A imprensa italiana, que batizou o evento como "o leilão do século", especula sobre os possíveis compradores deste tesouro artístico e arquitetônico. Entre os potenciais interessados, citou o bilionário Bill Gates, fundador da Microsoft, e o sultão de Brunei, Muda Hassanal Bolkiah.

O Cassino da Aurora, uma verdadeira joia do barroco romano, está avaliado em 471 milhões de euros (US$ 537 milhões), o que representa 25% do orçamento anual do Ministério italiano da Cultura.

Se a residência for vendida por um preço próximo ao valor de partida do leilão, será uma das vendas de imóveis mais caras já registradas publicamente na história.

Uma petição lançada pela página change.org, intitulada "SOS Vende-s cultura com desconto", coletou 35.000 assinaturas para pedir a intervenção do Estado. Seus signatários pedem que a Itália exerça seu direito de compra, já que, segundo especialistas, o afresco de Caravaggio tem um valor incalculável, provavelmente superior ao fixado para a Villa Ludovisi.

Foram convidados bilionários do mundo todo, uma lista de potenciais compradores que é mantida em segredo.

O leilão começará na terça-feira, às 15h locais (11h em Brasília) e vai durar 24 horas. O preço mínimo inicial foi fixado em 353 milhões de euros (cerca de R$ 2,23 bilhões). Serão admitidas apenas quem tiver depositado 10% do valor inicial.

Tudo o que sabemos sobre:
CaravaggioItália [Europa]leilão

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.