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Leilão de artes dá mais sinais de um mercado estável em 2015

Mira Schendel e Leonilson dobram de valor, segundo James Lisboa

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

24 Março 2015 | 18h45

A estabilidade do mercado de arte pode ser medida pelo leilão que o escritório de James Lisboa realizou na segunda-feira, 23. Cerca de 65% dos lotes foram vendidos numa noite em que os compradores saíram de casa e lotaram as dependências do Leopolldo Jardins. Quase 200 interessados marcaram presença no primeiro dos quatro leilões anuais que Lisboa realiza e que reuniu um conjunto expressivo de obras de modernos e contemporâneos, entre eles Di Cavalcanti, Lasar Segall, Mira Schendel, Tomie Ohtake, David Hockney, Torres Garcia e Figari.

“Pode-se dizer que o mercado está estável, não especulativo, e que as disputas foram específicas”, analisa o leiloeiro James Lisboa. Em alguns casos, as obras atingiram o dobro do valor do preço base, caso de um “toquinho” (letraset e ecoline sobre papel, de 1972) de Mira Schendel (1919-1988), avaliado em R$ 35 mil, que saiu por R$ 58 mil. Outro contemporâneo que dobrou de preço foi Leonilson (1957-1993), desenho (de 1986) arrematado por R$ 35 mil.

A obra mais cara do leilão foi uma tela de Lasar Segall, vendida por R$ 540 mil, seguida por uma marinha (1941) de Pancetti (R$ 291 mil) e um curioso autorretrato de Di Cavalcanti, tela rara (de 1972) por mostrar o pintor ao lado de suas mulatas, arrematada pelo lance mínimo (R$ 257 mil). Por preço equivalente foi vendida uma tela da pintora Tomie Ohtake, morta recentemente. Dois outros trabalhos seus (uma pintura e uma escultura) que estavam no leilão não foram vendidos.

Entre os artistas internacionais, o inglês David Hockney alcançou um bom preço por um desenho reproduzido em livros, R$ 201 mil, quatro vezes mais que uma obra no mesmo suporte assinada pelo uruguaio Torres-García (1874- 1949), ou seja, R$ 40 mil, valor inferior ao lançado por uma tela do conterrâneo Pedro Figari (1861-1938), R$ 50 mil.

Dentro desse patamar, as perspectivas do mercado, segundo Lisboa, são boas. É sinal que 2015, apesar das previsões pessimistas, será um ano estável. “Não verificamos um clima de euforia ou de especulação”, diz Lisboa. “Os compradores acataram os preços depois de muito pesquisar”, conclui. Um artista que teve seus preços dobrados, além de Mira e Leonilson, foi Wesley Duke Lee. “É o reconhecimento de uma produção única, pessoal, um artista dos anos 1960 que finalmente está sendo redescoberto.”

Em alta. Um “toquinho” (letraset e ecoline) de Mira Schendel saltou de R$ 35 mil para R$ 58 mil no leilão

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