Galeria Raquel Arnaud
Galeria Raquel Arnaud

Latitude abre feira internacional de arte

Começa hoje a edição digital da Latitude Art Fair, que reúne 54 galerias de todo o Brasil

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2020 | 05h00

Com a participação de 54 galerias brasileiras de todo o País começa hoje a Latitude Art Fair, primeira feira assinada pelo projeto Latitude, que existe desde 2007 e tem como meta fomentar a internacionalização da arte brasileira. A feira digital, que vai até domingo (27), é uma parceria da Associação Brasileira de Arte Contemporânea (Abact) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Ela acontece num período turbulento por causa da pandemia do novo coronavírus, mas nem por isso desanimador para o mercado, segundo a presidente da Abact, a galerista Luciana Brito. “Tanto que nenhum a galeria fechou no período”, argumenta.

A quarentena, diz ela, até ajudou a fortalecer os laços entre as galerias e a promover ações de solidariedade – como os leilões que foram realizados para ajudar a população carente (um deles reverteu em benefício de Paraisópolis). Prova de que o mercado de arte brasileiro não sofreu tantos os efeitos da crise financeira foi o primeiro dia (segunda, 21) do leilão da massa falida do Banco Santos pelo leiloeiro James Lisboa, que rendeu nada menos que R$ 16 milhões. Um dos artistas cujas obras estavam no leilão, pioneiro da fotografia moderna no Brasil, Geraldo de Barros (1923-1998), é representado por Luciana Brito – suas fotos alcançaram entre R$ 35 mil e R$ 38 mil.

A exemplo de feiras internacionais que optaram pela edição digital durante a quarentena (Art Basel, Frieze), a Latitude terá formato de 'viewing rooms', incluindo ações com realidade aumentada, proporcionando  imersão total do visitante no ambiente da galeria. Os negócios serão realizados diretamente com os galeristas, mas a Abact e a Apex orientam as galerias (especialmente as novas) e dão suporte não só para a comercialização durante a feira Latitude como para a entrada dessas galerias em feiras internacionais.

“Com esses eventos sendo cancelados por causa da pandemia, percebemos a urgência de  criar um projeto como a Latitude Art Fair em conjunto com nossos associados, para que as obras de artistas brasileiros continuassem a ser vistas e que o contato com o público não fosse perdido”.

As exportações de arte brasileira, segundo dados do projeto Latitude, têm crescido muito nos últimos anos, o que motivou algumas galerias brasileiras a instalar escritórios de arte e até mesmo filiais em países estrangeiros – Nara Roesler em Nova York, Kogan Amaro em Zurique e Jacqueline Martins em Bruxelas.

 Para se ter uma ideia desse crescimento, em 2007 as exportações de arte brasileira atingiram US$ 6 milhões. A última pesquisa setorial desenvolvida pela Latitude registra um crescimento dez vezes superior a esse valor (US$ 65 milhões) em 2017. As galerias ligadas à Latitude foram responsáveis por 42% do volume total das exportações do setor no ano. Na feira digital que começa hoje, pelo menos 100 artistas estarão representados pelas galerias participantes.

Luciana Brito destaca o papel importante que as ações desenvolvidas pelo projeto Latitude com o apoio de Apex-Brasil têm exercido nesse resultado, trazendo ao Brasil, desde 2011, quando o convênio foi assinado, 250 convidados internacionais, entre curadores, colecionadores e profissionais do mercado, em 23 edições de Art Immersion Trips, cujo objetivo é a difusão da arte brasileira por meio do contato com galeristas e artistas.

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