Latin Grammy no Brasil, um mico só

Boas apresentações ao vivo não conseguiram salvar festa que ocorreu pela 1.ª vez simultaneamente em São Paulo e Houston

Livia Deodato, O Estadao de S.Paulo

14 de novembro de 2008 | 00h00

Não fossem os micos, a noite não seria tão divertida. A 9ª edição do Grammy Latino, que contou com uma festa em São Paulo paralela à entrega em Houston na quinta-feira, alardeada como a primeira autorizada fora dos Estados Unidos, teve confusão generalizada na troca de convites por ingressos no hall do Auditório Ibirapuera, candidatos anônimos concorrendo - e ganhando! - prêmios daqui, uniforme para apresentadoras e artistas latinas e brasileiras, e até troca de envelopes de premiados, o que levou ao anúncio errôneo do vencedor.   Veja galeria de fotos do GrammyTalvez pelo fato de os troféus não serem entregues na festa brasileira (serão posteriormente enviados pela Academia Latina de Artes e Ciências de Gravação para a residência de cada premiado), os artistas brasileiros resolveram não aparecer por lá - à exceção, é claro, daqueles convidados para se apresentar na festa, como Chitãozinho & Xororó ao lado de Renato Borghetti, únicos a levantarem a platéia no vibrato da clássica Brincar de Ser Feliz.Com um "participe e sorria: você é parte importante desta gravação" em off, teve, então, início à premiação de brincadeirinha comandada por Daniella Cicarelli e Marcelo Tas. A Band, que investiu cerca de US$ 1 milhão, foi a emissora responsável pela organização e transmissão nacional e exclusiva do prêmio. Os Meninos do Morumbi abriram a noite com o guitarrista Andreas Kisser, compondo uma trilha especial para as acrobacias da companhia de dança de Deborah Colker. A festa, que começara bem animada, não demorou nem cinco minutos para dar o primeiro escorregão de uma série. Nelson Sargento e Marcelo D2, após entoarem ironicamente a canção Samba Agoniza Mas Não Morre numa mixagem do samba com o rap, anunciaram Beth Carvalho como vencedora do melhor álbum de samba/pagode (Canta o Samba da Bahia - Ao Vivo). Mas na legenda transmitida para todo o País apareceu o nome de Paulinho da Viola e seu Acústico MTV.Dada a desorganização na troca dos convites de papel pelos ingressos, o que fez com que muitas pessoas desistissem de entrar e dessem meia-volta no tapete vermelho, algumas poltronas do gargarejo permaneceram vazias nos primeiros quadros. No segundo intervalo, um desesperado integrante da equipe da Band gritou para sua colega: "Vai lá atrás, rápido, e busca algumas meninas. Bonitas, por favor." Não deu tempo e o número de cadeiras vazias só foi aumentando com o passar da hora. "Por favor, permaneçam sentados. Entraremos ao vivo dentro de alguns instantes", pedia, clemente, um produtor em off.Enquanto isso, Daniella Cicarelli, Marina de la Riva e Daniela Mercury aqui, e Gloria Estefan e as apresentadoras latinas de lá, subiam ao palco desfilando um uniforme-base: vestidos curtos ou longos, mas todos cheios, muito cheios de babados.As divertidas irmãs Galvão subiram ao palco para anunciar o ganhador do prêmio para álbum de música tradicional regional ou de raízes brasileiras. Abriram o envelope com certo custo ("enfia logo o dedo aí!", disse uma delas) e revelaram em alto e bom som: "Seu Jorge!" A platéia aplaudiu, sem se dar conta de que Seu Jorge não estava concorrendo naquela categoria, e sim na de música popular brasileira, que ainda estava por vir. "Ih, acho que deram o papel errado pra gente..." O ponto as salvou e elas corrigiram rapidamente o nome do vencedor para o pai e o tio de Sandy e Júnior.A grande surpresa, no entanto, ficou por conta do primeiro lugar na categoria canção brasileira. Disputando com Acode, de Vanessa da Mata e Sergio Mendes, e Delírio dos Mortais, de Djavan, entre outros, a considerada "melhor" canção brasileira foi Som da Chuva, dos quase famosos Marco Moraes & Soraya Moraes. Aplausos esparsos e constrangidos.O que chamou bastante a atenção também foi a mudança repentina do nome do Auditório Ibirapuera para Auditório TIM, que saía da boca de todos os portadores do microfone. Mário Cohen, presidente do Instituto Auditório Ibirapuera, que é gerido em parceria com a Prefeitura e mantido pela operadora TIM, desconversou. Disse que houve um engano por parte da organização da Band. "Vamos ter de conversar com eles depois. O nome do auditório não vai mudar. A TIM é somente a mantenedora."A festa terminou com homenagem Carmen Miranda, cujo centenário de nascimento se dá em 9 de fevereiro de 2009. E com um "Viva Obama!", de Daniela Mercury.

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