Lamarca resgata episódio controverso da guerrilha

Sérgio Rezende iniciou com Lamarca a fase mais ''espetacular'' de sua carreira. O adjetivo aplica-se mais ao formato dos filmes do que propriamente a grandes qualidades narrativas. Paradoxalmente, o melhor filme do diretor é Quase Nada, que, desde o título, anuncia outra proposta que não a de Lamarca, ou a de Canudos, Mauá - O Imperador e o Rei e Zuzu Angel.Lamarca passa hoje às 19h23, no Canal Brasil. Ao estrear nos cinemas, provocou polêmica porque Rezende foi dos primeiros a fugir à historiografia oficial ao contar a história da guerrilha no Brasil. Lamarca deixou o Exército brasileiro para virar guerrilheiro. Foi caçado e morto no sertão. Os militares andaram reclamando do filme.Embora seus filmes mais ''caros'' - o melhor sentido para espetacular, no caso, é esse - sejam via de regra discutidos por sua mise-en-scène, Rezende tem procurado recontar, por meio deles, episódios controversos da história do País, resgatando personagens que lutaram por suas convicções (e para que este País seja grande). Lamarca pode não ser, e certamente não é um grande filme, mas a convicção com que Paulo Betti cola ao personagem chega a ser comovente. Suas cenas ''íntimas'' com Carla Camurati são o melhor do cartaz de hoje da TV paga. Antecipam a melhor cena de Zuzu Angel, quando Patricia Pillar, em busca de notícias do filho, vai até o pai de Lamarca, o sapateiro interpretado por Nelson Dantas. A tensão daquele homem que nada diz, mas morde o lábio até tirar sangue, é uma coisa extraordinária. Mesmo quando Rezende erra, nunca é por incompetência.

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